Poiésis

sexta-feira, agosto 06, 2010

Só um lembrete de Roberto Shinyashiki e Mário Quintana...

Olá!

A matéria se trata de uma entrevista concedida a revista Istoé pelo psiquiatra e psicoterapeuta Roberto Shinyashiki, que muito de vocês devem conhecer ou terem ouvido falar.  No final dessa postagem, o poeta Mário Quintana também deixou um lembrete para vocês. Au revoir!

ISTOÉ – Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus, isso é uma verdade?

Shinyashiki – A sociedade quer definir o que é certo. Jeito certo não existe. Isso é uma loucura. São quatro loucuras da sociedade:

A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.

A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.”

A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.”
O resultado é esse consumismo absurdo.

Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.”
Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas.

As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

Felicidade não é uma meta...

...mas um estado de espírito.

Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete...

... ou levando os filhos para brincar.



Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz.”

Roberto Shinyashiki :

“... eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.”

Muitos, na hora da morte... “ dizem se arrepender por ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida...”

Mário Quintana também tem um lembrete: “Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.”

Pense nisso...
Um beijão!

terça-feira, julho 27, 2010

Pessoas...




" Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha.
É porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra!
Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só
porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós.
Essa é a mais bela responsabilidade da vida
e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso. "

(Charles Chaplin)



Para os queridos
amigos que visitam, seguem o blog, comentam ou curtem os textos por mim escritos.
Dedico essa poesia para vocês... Pessoas!
Um grande abraço, queridos!
Si.

terça-feira, junho 29, 2010

Violeiro



Há grande poesia nos versos
do resplandecer da Lua,
E o violeiro se encanta perplexo
como se ela fosse sua.

segunda-feira, junho 28, 2010

Acervo da Ditadura mofa sob goteiras em Brasília



"A principal preocupação do Arquivo, no entanto, não é com o armazenamento dos documentos da ditadura. Cercado por janelas com grade e com fios expostos pelos corredores, o risco de incêndio no local é iminente"


           Enquanto o governo federal compra briga com os militares para desvendar informações sobre a ditadura (1964-85), o Arquivo Nacional, em Brasília, guarda documentos sob goteiras e dentro de sacos plásticos, com risco iminente de incêndio.
           São quase 35 milhões de folhas, armazenadas em condições precárias, que narram a censura, a perseguição a militantes de esquerda e a ação das Forças Armadas em um dos momentos mais obscuros da história do país.Toda essa papelada ainda aguarda triagem dos arquivistas para a definitiva incorporação ao acervo.
           Os arquivos estão desde 1999 no prédio da Imprensa Nacional, que até hoje não foi adaptado para armazenar documentos históricos: não há saídas de emergência, o teto tem infiltrações e há fios expostos nos corredores. Os documentos guardados sob lonas e expostos a goteiras e infiltrações representam um terço do acervo do órgão na capital do país. Se fosse empilhada, a papelada chegaria a 5 km --o equivalente a um prédio de 1.500 andares.
           Com o tempo, muitos documentos mofam e são tomados por pragas, e aí necessitam de uma higienização antes de voltar às estantes. Boa parte desse material em quarentena está armazenado em sacos de lixo.
           A Folha teve acesso a todas as dependências do Arquivo Nacional e flagrou mapas que ainda seriam analisados jogados num canto do galpão e dezenas de caixas com documentos com sinais de que foram molhadas.
           No mesmo local em que estão as 35 milhões de folhas históricas há banheiros e uma copa para os funcionários, situação que é considerada irregular pela própria coordenação da instituição, já que a proximidade com banheiros e cozinha pode causar infiltrações.

Riscos

          A principal preocupação do Arquivo, no entanto, não é com o armazenamento dos documentos da ditadura. Cercado por janelas com grade e com fios expostos pelos corredores, o risco de incêndio no local é iminente.
           A Folha teve acesso a laudo do Corpo de Bombeiros que obriga o órgão a fazer uma série de adaptações para evitar incêndios, sob pena de interdição do prédio.
           O Corpo de Bombeiros deu 30 dias para que fossem criados sistemas de iluminação, alarme, sinalização, chuveiro automático e extintores. Segundo os bombeiros, o prédio nem sequer tem saída de emergência para a segurança dos 55 funcionários.
          "[O Arquivo Nacional deve] instalar saídas de emergências e adequar a edificação para garantir o abandono seguro de toda a população", diz trecho do laudo. O prazo dado pelos Bombeiros se encerra nesta semana, mas o Arquivo Nacional já trabalha para conseguir mais tempo

FILIPE COUTINHO
LUCAS FERRAZ
DE BRASÍLIA
(* Folha on-line 27/06/2010-09h27)


É infinitamente lamentável, repugnante ler e perceber o tamanho descaso com documentos importantes de um tempo tão difícil para muitos. Mas, pensando bem, estamos em plena época de São João e , uma fogueirinha a mais ou a  menos não faz diferença, não é mesmo? (Simone Prado)

Leia também: Arquivos Abertos da Ditadura

sexta-feira, junho 25, 2010

Formosa Fror (Cantiga de Amor)





Mia Senhor formosa Fror d’amor
Non poso lle negar mi amor
i Coitado de mi que vi mia Senhor!

Tua beleza me foi a mi doce tortura
Gran ben lle quero a tan bela candura
Nostro Deus há de cuidar de tan boa Dona
Não há para mi outra Senhor como que é fror
Neñuma moller vi como esta Dona

En teus raros paseos me contento
Ora me esváio
Ora me desatino por dentro
Quando non vexo a face de mia Senhor

A bela Dona que és Fror
Pero que non poso con ella falar
So restando a mi ollar a face bela
Que lumeame máis e máis
As frores , o verde, menten
Non son máis belos que a mia Senhor
Mia Senhor, formosa Fror,
Para sempre ei de amar

Se ella soubese como lle quero ben
Máis que a mi vida
Prefiro eu a morte, morrer a alma a míngua
Pelo coração que dispara por mia Fror d'amor

Autoria: Simone Prado
Poesia registrada na Biblioteca Nacional- Escritório de Direitos Autorais- (E.D.A- RJ))

Trovadorismo



           O Trovadorismo surge em Portugal no início do século XIII e tem seu fim no século XIV com Don Diniz, um dos últimos trovadores da época. Nessa fase, destaca-se na literatura portuguesa a poesia por meio das Cantigas, e, na prosa, as Novelas de Cavalaria. Portugal, nesse período, passava por um processo de consolidação nacional.
               A poesia trovadoresca possui como língua o galego-português que, na época, era tida como exclusiva da poesia lírica; além da obrigatoriedade que os poetas possuíam em adotá-la em suas práticas literárias.
              As cantigas de amor foram de extrema importância, pois serviram de base para a poesia lírica portuguesa e brasileira.
            Nesse período arcaico da língua portuguesa, tanto o lambidacismo (pronúncia que consiste na troca do r pelo l) quanto o rotacismo (pronúncia que consiste na troca do l pelo r - por exemplo, a palavra fror), e principalmente o rotacismo, foram características marcantes nessa fase. Além disso, foi constante o uso dos pronomes de tratamentos no gênero masculino - por exemplo: mia Senhor.
             As Cantigas de amor têm por finalidade a exaltação da imagem feminina, por esse motivo as palavras referentes à mulher amada são grafadas em letras maiúsculas, escritas em primeira pessoa, sendo o “eu-lírico” masculino. Este, por sua vez, declara o seu amor a sua dama, uma mulher da aristocracia que vive em palácios, idealizada e inatingível para a qual ele dedica todo o seu amor , e que , por esses motivos, ela passa a ser frequentemente vigiada por ele. Amor este proibido de ser sentido a dois por ser, a mulher, uma dama casada, esposa do seu senhor. Dama pela qual valia a pena ele morrer. Amor esse sublimado vivido por um vassalo.


quinta-feira, junho 24, 2010

Resenha crítica do filme "Entre os muros da escola ".

Resenha Crítica dentro de uma abordagem que envolve aspectos relativos à prática pedagógica, à globalização, questões da área cognitiva e afetiva na relação professor-aluno.



Resenha crítica do filme “Entre os muros da escola”.
(Entre les Murs, França- 2007.)



     O filme “Entre os muros da escola”, de Lautet Cantet, nos remete aos muitos aspectos conflitantes vividos em uma escola pública localizada no subúrbio de Paris. Grande parte da ficção se passa dentro de uma sala de aula composta por alunos de treze a quinze anos de idade com diversos problemas de ordem política e, principalmente, social. É possível, também, perceber as diversidades étnicas ali inseridas, cujas culturas e diferenças que cada aluno trás consigo acirra ainda mais o conflito entre eles no que diz respeito ao preconceito de raça, de classe social, etnias, dentre outros.
 
     Observando o filme, e analisando a prática pedagógica adotada pelo personagem François, pode se verificar que o professor Marin se mostra comprometido e disposto a enfrentar, através do diálogo, os muitos desafios que irão surgindo por parte daquela turma indisciplinada, no intuído de transformar os vários questionamentos dos discentes num aprendizado através da reflexão crítica. Ou seja, ser um educador naquilo que envolve uma preocupação com a transformação social que, segundo Cipriano Luckesi, possui grande importância por promover mudanças na história. Trabalhar nos alunos o conhecimento e o hábito de se fazer uma reflexão críticas dos fatos a fim de obter mudanças no modo de pensar e não simples reprodução do senso-comum.

     Os muitos conflitos sociais e questionamentos por parte dos alunos de diferentes realidades presentes naquela sala de aula, uma vez suscitadas, François utiliza cada momento para reflexão e esclarecimento. O professor passa a ser o mediador daquela realidade conflitante para poder extrair algum conteúdo a fim de que seus alunos adquiram uma conscientização moral, ética e política na intenção de promover uma transformação social através da reflexão e debate. Portanto, o docente deve “caminhar junto, intervir o mínimo indispensável, embora não se furte, quando necessário, a fornecer uma informação sistematizada.” (Luckesi- 2002, p. 25)

     A didática pela qual o professor apresenta os conteúdos referente à língua francesa, logo no início do filme, é uma didática que podemos chamar de progressivista (centrada no aluno), estimulando a troca de conhecimentos e experiências por meio dos diálogos cujo antiautoritarismo e a valorização das experiências vividas pelos discentes se fazem presentes por parte do educador no intuito de fazê-los refletirem sobre a importância de se aprender a língua francesa, o respeito aos colegas de classe e suas etnias etc. Porém, diante da resistência dos alunos em não aceitar seus métodos pedagógicos, desprezarem a figura do professor e sua forma de trabalhar, a sua pedagogia de caráter progressivista parece se perder no decorrer do filme.

     Segundo Cipriano Luckesi em seu texto “O papel da didática na formação do educador”, o docente deve possuir um compromisso com o ensinar de forma a transformar as relações humanas através de um processo dialético transformador. Transformação essa que se baseia numa troca constante de saberes e experiências entre o professor e o aluno, pois “ensinamos e somos ensinados, numa interação contínua em todos os instantes de nossas vidas.” Isso deve ser refletido também dentro de sala de aula.

     O educador deve ter consciência da importância de seu papel na sociedade, naquilo que envolve as suas práticas educacionais no sentido de ser sujeito da história que, através de seu caminhar, construirá o conhecimento, respeito aos outros conhecimentos, desenvolvimento do pensamento ético, moral, político e humano em seus alunos.

     Ainda que todo esse esforço seja aproveitado de forma mínima pelos discentes, tal empenho se refletirá, quem sabe, em uma sociedade mais justa. É ter consciência de seu papel, ainda que seja árdua a tarefa, hoje em dia, do educador. Este, por sua vez, deve estar compromissado com o “fazer” a história, contribuindo por uma sociedade e educação melhor. É um desafio constante.

     Nesse sentido, diante desses aspectos acima citado, observa-se que o professor François se distancia, no decorrer do filme, aos poucos dessa pedagogia progressivista, desse compromisso de fazer a história e provocar mudanças devido à grande resistência dos alunos. Isso fará com que ele passe a adotar algumas atitudes semelhantes a prática pedagógica conservadora na tentativa de passar o conteúdo da disciplina, ou seja, o estudo da língua francesa.

     Apesar dele se mostrar disposto a esclarecer para os alunos a importância das aulas de literatura e a aprendizagem da conjugação dos verbos no imperfeito do subjuntivo, por exemplo, ele esbarra em muitos questionamentos dos discentes ante aqueles ensinos, portanto tais resistências por parte dos alunos farão com que o professor mude a sua postura de ensinar. Os conteúdos passam a ser transmitidos pelo professor não de forma a proporcionar a compreensão do porque daqueles verbos e conjugação, mas se caracterizando como uma transferência de um saber através do seu autoritarismo.

     Não é visto, por parte dele, no decorrer do filme, uma construção baseada na troca de conhecimentos como demonstrava no início, na intenção de entender e fazer os alunos refletirem. A sua prática pedagógica passa a centrar na transmissão do conhecimento que, muitas das vezes, quando contrariado, o professor Marin costumava impor sua opinião ou suscitar uma discussão que não levava a lugar algum; pelo contrário, irritava mais ainda os alunos, agravando a desmotivação deles, levando- os a discutirem e até brigarem em sala de aula.

     Infelizmente, houve uma falha da parte do personagem, pois tal atitude tende a aumentar ainda mais o processo de exclusão do aluno do conhecimento devido à falta de compreensão daquilo que está sendo ensinado e sua aplicabilidade.

     O personagem François começa com uma pedagogia progressivista, porém esta, por sua vez, passa a dar lugar a pedagogia mais conservadora diante das grandes dificuldades que o professor encontra naquele hostil ambiente escolar. Ele não é o “herói” que “salva” toda uma turma como muito já vimos nos filmes voltados para a educação, mas, também, não é o vilão por tais atitudes.
 
     No que concerne ao aspecto afetivo, o professor até tenta estabelecer algo; por exemplo, na conversa que ele possui com o Souleymane na tarefa do autoretrato, porém o aluno não crê naquela conversa, na atenção dispensada, achando que tal valorização da parte do professor fazia parte de um plano para que ele e os outros alunos fizessem a lição proposta. Teria esse questionamento por parte de Souleymane um fundo de verdade , ou não?

     Se ainda existia um fio mínimo de afeto por parte do professor, parece que tudo fora posto por terra, haja vista as muitas discussões em sala de aula e, mais tarde, com as duas alunas representantes de classe que, após terem mentindo sobre a conversa dos docentes no conselho de classe, provocou a ira do professor chamando-as de vagabundas. Ou seja, o que se pode tirar disso, dessa lição, é que o clima afetivo entre professor e aluno é muito importante para a construção da auto-estima e o desenvolvimento cognitivo, pois o processo de aprendizagem se dá através do relacionamento interpessoal forte entre ambos. Dependendo de como se dá essa relação afetiva, ela pode ser responsável pelo sucesso ou fracasso na aprendizagem. “Envolve estar atento ao aluno e se preocupar com o mesmo.” (Vera Candau- 2001- p. 14)

      Referente ao campo da cognição, à relação entre professor e aluno, no filme, envolvendo aspectos em sua dimensão humana, político e social, verifica-se que foi bastante prejudicada devido à resistência dos alunos em não aceitarem o ensino da língua francesa e as orientações e práticas pedagógicas do professor François. O professor até se esforça em fazer com que a turma aprenda a língua local e sua importância, porém é possível perceber que poucos foram os que aprenderam, e outros não aprenderam nada. Nesse sentido, entendo que a falta de afeto e a grande dificuldade de aceitação do professor François Marin, por parte do aluno, fizeram com que este profissional falhasse em seu papel de educador, e a sua autoridade como mestre vai aos poucos sendo abafada, dando lugar ao autoritarismo que passa a ser evidenciado em alguns de seus confrontos com os discentes diante da postura agressiva deles, como, por exemplo, o personagem problemático Souleymane e a aluna Khoumba, principais questionadores e rebeldes que desprezavam a autoridade do professor como um profissional da educação.

     Observa-se, portanto, o quão importante é o desenvolvimento afetivo-emocional professor /aluno para o desenvolvimento do cognitivo, pois o estímulo afetivo capacitará o aluno (se ele de fato quiser) a conhecer a si mesmo, promovendo a auto-estima e, como resultado, o aluno passará a se conhecer e situar-se melhor no mundo.

     Concernente a globalização e seus efeitos no campo da educação pública, de acordo com o filme, “Entre os muros da escola”, tende a aproximar vários países, idéias e culturas. Ou seja, a globalização cria paradigmas e seus efeitos passam a ditar isso ou aquilo que devemos fazer, pensar e perceber as coisas no mundo.

     Segundo Minayo (et all, 2001) , tudo se torna efêmero , descartável diante da agressiva conquista de mercado por meio do poder que possui e exerce a globalização, refletindo-se também no modo como as pessoas devem “perceber” e aceitar as coisas. Esse efeito é algo amplo e dinâmico no mundo atual, portanto o individualismo e tudo que se mostra diferente tende a ser amenizado para sobressair aspectos que devem ser comuns a todos: mesmo gosto, estilo, não importando qual lugar, país ou cultura. A homogeneização é o seu grande alvo. Dessa forma, o controle é mais fácil.
A educação, por sua vez, tende também a sofrer tais efeitos uma vez que ela não é neutra, mas, nem por isso, alienada.

     Se compararmos, é possível perceber no filme de Laurent Cantet uma aproximação com a Europa e a América Latina, com a sala de aula francesa e a brasileira, na atitudes, gostos, músicas, indisciplina, falta de respeito ante ao professor e, até mesmo, nos problemas dentro da classe como os muitos celulares ligados e tocando em plena aula. Tudo isso pode ser visto aqui no Brasil, por exemplo.

     Outro aspecto comum aos dois países ante a nossa realidade, hoje em dia, se encontra na dificuldade que os professores possuem em fazer o aluno perceber e entender o quão importante é a análise crítica daquilo que se mostra como “verdade”, ou seja, a realidade alienada e alienante na qual vivemos. Infelizmente, a falta de hábito de uma análise crítica das coisas encontra apoio na grande resistência por parte dos discentes; não só dos discentes, mas da população em sua grande maioria. A falta de leitura é uma das maiores contribuidoras para tal desinteresse.

     Portanto, eis um filme envolvente através de uma realidade tão próxima ao que se vive nas muitas escolas públicas hoje em dia. Filme para muitos debates sobre práticas pedagógicas, relacionamentos professor /aluno conturbados, ou não, vividos dentro de uma sala de aula.


Dados do Filme

Título original: Entre les Murs
Gênero: Drama
Ano de lançamento: França- 2007
Direção: Laurent Cantet
Roteiro:Laurent Cantet, François Bégaudeau e Robin Campillo, baseado em livro de François Bégaudeau

Sinopse


François Marin (François Bégaudeau) trabalha como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio, localizada na periferia de Paris. Ele e seus colegas de ensino buscam apoio mútuo na difícil tarefa de fazer com que os alunos aprendam algo ao longo do ano letivo. François busca estimular seus alunos, mas o descaso e a falta de educação são grandes complicadores




  

domingo, junho 20, 2010

Radical Chic e Gatão de meia-idade (1)

Ahhh... Esse blog não poderia nunca esquecer e deixar de prestar uma homenagem ao excelente cartunista brasileiro Miguel Paiva e seus personagens Radical Chic e Gatão de meia-idade. Ela: linda, radical, sem tabu, transparente, autocrítica, sexy sem jamais perder a pose e chic. Muito chic! Era presença confirmada na Revista de Domingo do JB. E como não se identificar com alguns de seus pensamentos e situações cotidianas sobre sexo, homens, casamentos, e por aí vai.





Ele, Gatão de meia-idade, povoado de sentimentos e vaidades masculinas e... algumas broxadas de um homem de meia idade.(rs)
 
 



Haja Viagra!!! (rs...)


Leia também: Radical Chic e Gatão de meia idade (2): Namorada para todas as idades

Lumiar- Nova Friburgo


Imagem:by Si.



Preciso do descanso e dos dias  de férias...
Então eu preciso de Lumiar grande,
Aberta e caudalosa.
De abrir a janela e rir sozinha como se tudo fosse meu.
Do seu cheiro de chuva de montanha
E os pinheiros de Mury!
Dos cavalos e cavaleiros que tocam a sua gaita gostosa.
Das suas luas e noites fartas
Que enfeitam a velha praça
E lumiam e renovam a minha vida.

Tenho que aprender com a Nana...

Tenho que aprender com a Nana a ludibriar o tempo.
Mostrar para ele que não tem jeito,
Que é ele que morrerá por mim, e não eu por ele.
Não o esperarei bater em minha porta: Ela já está aberta.
- Mas eu? Ah, eu já saí!
- O tempo? Que pena. Chegou um pouco tarde. Não quis esperá-lo.
Insistiu. Deixou um bilhete. Disse que voltaria.
Voltou. Bateu uma vez. Dessa vez, em minha janela.
Me encontrou.
E dizia que só queria estar comigo, segurar a minha mão,
Pois ele me serviria de melhor companhia e também de solução.
Fiquei parada, calada, não queria reviver o tormento.
Insistiu em ficar, cuidar das minhas feridas, da minha falta de alento.
Mas ele... Chegou um pouco tarde e não lhe permiti argumento.
Não darei para ti a minha companhia,
E não será um em mim por mais que você insista.
- Leve contigo esse retrato surdo, esquecido e calado!
E o seu tempo e a distância que só deixaram lembranças
Que agora bate a minha porta, insistindo em ficar...
- Mas eu? Ah, eu já estou de saída!
Saio daqui para renascer E você, tente me esquecer.

* Poesia que fiz dialogando um pouquinho com a belíssima música de Nana Cayme, Resposta ao Tempo.


quinta-feira, junho 03, 2010

Volto logo!

quinta-feira, maio 27, 2010

Releitura



O desejo passado, quando deixado de lado,
É como a folha seca que é levada pelo tempo-vento:
Voa longe, mas um dia acaba caindo no chão do agora.
É suspiro ausente que se tem no presente,
E questionamento que se faz no futuro.

. . . . . . . .

“Devia ter arriscado mais  
E até errado mais...
(...)Ter visto o sol se pôr...”

terça-feira, maio 25, 2010

Do lado de cá...



" Um dia a gente vai perceber,
Que não se prende pássaros
e nem corações...
E que estar junto,
não é estar ao lado...
Mas sim do lado de dentro ."
....................

domingo, maio 23, 2010

Pacto

Sonhe.
Mas depois, chegue bem pertinho
de seus pés e diga devagarzinho:

p-a-i-x-ã-o

sexta-feira, maio 21, 2010

Resenha crítica do filme A Voz do Coração

                                           


Resenha Crítica do filme “A voz do Coração”
(“Les Choristes” - França- 2004)



“A voz do coração”, filme de Christophe Barratier, reporta à França da década de 40 – mais precisamente em 1949, três anos após o término da 2ª Guerra Mundial-, fase em que muitas mulheres, no período do conflito bélico, sofreram abusos sexuais, violências físicas, psíquicas e muitos de seus maridos e filhos foram mortos nos combates. Resultado disso: muitas crianças nasceram fruto dos muitos estupros; outras foram abandonadas ou tiveram seus pais mortos; outras entregues ao internato, pois, diante da grande quantidade de homens mortos devido à guerra e a economia está em colapso, as mulheres tiveram que largar suas vidinhas domésticas e abrir mão da educação familiar de seus filhos; passaram a arregaçar as mangas nas fábricas caso não quisessem morrer de fome. Não faltou, nessa época, propagandas elegantes e cartazes convidativos incentivando o quão maravilhoso e honroso para o Estado era o trabalho feminino.

Diante disso, de todo esse contexto social, o filme narra a história dessas crianças órfãs, delinqüentes ou sem aparente futuro que vivem em uma instituição de ensino no qual, pode ser observado, não há uma preocupação com o ensinar, naquilo que envolve uma educação que capacite os alunos a refletirem os diversos assuntos de forma crítica, mudança de comportamento, assimilação de valores éticos e morais para se tornarem cidadãos de fato.

No colégio - se é que pode chamar aquela instituição de colégio, pois concernente a seus métodos repressores assemelha-se tranquilamente a um reformatório - observa-se, logo na entrada, os seguintes dizeres: “No fundo do poço”. Ou seja, teria realmente essa instituição um olhar social na intenção de compartilhar e trabalhar a aprendizagem e sua avaliação, respeitando os seres humanos que ali se encontram? É lógico que não! O que se observa em “A voz do coração”, antes da chegada do professor de música, Clémente Mathieu, é justamente o contrário, o que se verifica é uma educação repressora.

Se pensarmos numa suposta didática daquela instituição- e quando digo suposta é por perceber que não há nada que se assemelhe ao conteúdo e a teoria da qual a didática carrega em si , como, por exemplo, planejamento e estratégias adotadas pela equipe docente na intenção de estabelecer de forma significativa o ensino e a aprendizagem- verifica-se, portanto, que as experiências dos alunos naquele local é totalmente inversa, basta, para tanto, observar o lema pelo qual o diretor Rachin se baseia: “ação e reação” como método de correção. Tudo isso para que os internos possam aprender a se comportarem, caso contrário, seriam confinados em uma solitária. Método esse que tende a adestrar os alunos no objetivo de adquirir deles bom comportamento advindo do medo, da repressão e, tendo como resposta: crianças agressivas, com baixa estima por não encontrar naquele ambiente nenhuma afetividade ou algo que o incentive e estimule para o processo de socialização.

A chegada do professor de música, por sua vez, e através dele, o ensino adquire novo enfoque: tem-se agora um profissional que conduzirá os alunos a perceberem uma nova realidade bem diferente do que a instituição impunha, avaliará suas habilidades fazendo com que, dentro de um aspecto humanístico e de afeto ante aos alunos, promova a auto-estima em cada um, se sentindo úteis e, não, como sendo parte do mobiliário de uma sala de aula.

É muito comum hoje em dia, e basta observar dentro da sala de aula, certos alunos quietinhos no canto, não falam, não participam de certas atividades e muitos dos professores nem se quer procuram saber o porquê daquilo. Não se interessam, configurando numa espécie de abandono de forma indireta por meio desse profissinonal. No filme, tal aspecto também é abordado de forma crítica em relação ao aluno que , não possuindo uma voz adequada para o canto, mesmo assim, não foi posto de lado, mas aproveitado uma outra habilidade sua para que este não se sentisse abandonado, excluído das atividade. Apesar da situação e cena se mostrarem engraçadas, esse aluno, que não possuía habilidade alguma para o canto, acaba ajudando o professor servindo de “estante”, digamos assim, para segurar a partitura. De uma forma ou de outra, ele também estava atuando junto à turma.

Ser professor não é somente transmitir o conteúdo da disciplina, mas deve estar atento aos seus alunos, as suas pontencialidades e dificuldades, orientando-os a construírem o conhecimento necessário para uma vida social mais digna. É capacitar, ajudar a se tornarem sujeitos pensantes e não repetidores de uma gama de informações.

Diante disso, é importante que o profissional de educação perceba e desenvolva as habilidades que cada um de seus alunos possuem; isto deve ser trabalhado e desenvolvido no discente para que este não veja a escola como um lugar enfadonho e sem perspectiva.

O longa de Christophe Barratier, como foi analisado aqui, aborda a educação em seus vários aspectos, e, dentro deles, cito dois por serem expressivos: as atitudes autoritárias por parte do diretor da instituição que se estabelece na incoerência dos tratos com os alunos, falta de respeito ante ao ser humano e imposição pessoal para prevalecer o que ele acha que é certo; e o segundo aspecto envolve as atitudes humanísticas cujos elementos principais deve inserir afetividade, respeito e dedicação, contribuindo de forma significativa para melhorar a auto estima do aluno e, com isso, estimular a confiança em ultrapassar suas dificuldades de aprendizagem e superação de obstáculos que cada idade exige.

Portanto, eis um excelente filme que demonstra que, acima de tudo, o amor, a bondade, o respeito e, principalmente, a sensibilidade e a compreensão devem fazer parte de qualquer currículo e método de ensino no caminhar do profissional de educação.


Dados do Filme:

Título Original: Les Choristes
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 95 minutos
Ano de Lançamento (França): 2004
Direção: Christophe Barratier
Roteiro: Christophe Barratier e Philippe Lopes-Curval
Produção: Arthur Cohn, Nicolas Mauvernay e Jacques Perrin

Música: Bruno Coulais


Sinopse:

Um professor de música vai trabalhar numa rígida instituição de reeducação de jovens meninos. Com paciência, ele tenta melhorar suas vidas através da música. No entanto, ele terá que lutar para manter o coral dos meninos na ativa.


   
                         

Hola!!!!!!!
Vai uma dica artística importante??!!!
Para quem gosta de artes, não deixe de ver e apreciar a belíssima obra e uma pequena análise crítica sobre Salvador Dalí: "Criança geopolítica assistindo o nascimento de um novo homem". Vale a pena dar uma conferida.

Deixe comentários e críticas também!!
Aproveite esse espaço e sinta-se à vontade!!!
Um beijão!!!

domingo, maio 09, 2010

É um parto...

As contrações começaram a aparecer e estão cada vez mais fortes.
Sinto-me enorme e incomodada. Sou do abdômen ao útero um todo só.
Tem horas que elas sufocam por fazerem força, querem sair, e nada!
A respiração fica curtinha.
- Por quê?
- Porque estou grávida! Não ligeiramente. Mas totalmente grávida  das palavras que forçam uma saída de dentro de mim. Estou em pleno trabalho de parto; e como se faz dolorido, tem horas!


quarta-feira, maio 05, 2010

Temos Asas


Onde levo essas letras das muitas esperanças que escrevo, me jogo, me debruço sobre as muitas palavras faladas, escondidas ou silenciosas da alma.


Temos asas

Hoje me chamou a atenção, ao passar pelo jardim, algo que ouvi de certa mulher que ali estava, cuidando das flores com uma que parecia ser sua amiga.
-Você acredita que ontem, na igreja, levei um susto quando senti pousar em mim a esperança?
E pensei comigo: Susto? Susto por sentir a esperança tocá-la?!
E resistindo eu em sair, meio que paralisada pela conversa e ao mesmo tempo não querendo deixar aquele imenso jardim infantil com suas grandes flores que se desabrochavam em cada um dos pequeninos rostos, não tive outra opção senão seguir a razão do dia.
E de repente, andando pela rua, parei surpresa com a cena que vi, não pude conter uma grande decepção:
- Meu Deus! O que é isso? Como pode acontecer? Uma esperança, caída no chão frio de concreto como que morta! Como deixaram?
Passam por ela e não a enxergam.
E quando se dão em si e a contempla, são como que paredes.
Mas, pensando bem, estão como que mortas, desfalecidas, como que caídas dentro de seus abismos que as consomem.
Será que não lhes faz mais sentido?
Até que meio de repente fui acordada de meus pensamentos, uma criança passa e se admira:
-Olha mamãe, uma esperança!
Pude sentir em sua voz a alegria.
E com um grande puxão em seus braços a mãe disse andando apressada:
-Vamos menino! Não está vendo que está morta!
Então, com um giro rápido, ele tenta se soltar e, conseguindo, corre ao encontro da esperança, ele tem noção do que ela representa.
E entusiasmado, diz bem alto:
-Não mamãe! Não está morta! Está viva e se mexeu! Ela ainda tem asas, pode voar.
Então, vi pegar com suas pequeninas mãos, com todo o cuidado, apertando entre o peito e, sorrindo, disse que iria levá-la para casa.
Totalmente envolvida por aquela cena, me vi transportada de alma e coração à esperança. Não a efêmera que é pálida e vazia, que se encontra aprisionada em “cemitérios”, mas... a que tem asas.
E estando ali parada devaneei em muitas coisas.
Pensei na chuva que, quando cai, engravida a terra e o coração de esperança daquele que semeia
E... de repente, pensei naquele menino, e disse comigo:
- Levarei eu também a esperança para casa.
Afinal de contas...
Temos asas, podemos voar.



terça-feira, maio 04, 2010

Resenha Crítica do filme O Leitor

Resenha Crítica dentro de uma abordagem que envolve aspectos relativos à ética , à moral e à conduta da sociedade alemã ante aos campos de concentração nazista.

Filme: O Leitor
(The Reader. Alemanha, EUA, 2008)


O filme “O Leitor”, de Stephen   Daldry, se baseia no livro de Bernhard Schlink e remonta a Alemanha destruída moral, ética e politicamente após alguns anos da Segunda Guerra Mundial. O longa narra a história de um adolescente, Michel Berg, que se apaixona quase que obsessivamente por Hanna Schmitz, uma mulher vinte anos mais velha e que, misteriosamente, desaparece de repente de sua vida. Anos mais tarde, ele a reencontra em um tribunal, no banco dos réus, e descobre que ela, a mulher que ele tanto amara, participou de vários  crimes de guerras contra os  judeus nos campos de concentração,   em    Auschwitz.
“O Leitor” se faz intrigante e envolvente por ressaltar alguns aspectos que irão de encontro à ética, à moral e à vergonha diante de um processo que revisará os crimes cometidos no Terceiro Reich: o julgamento de alguns soldados nazistas parece levantar uma poeira já assentada com o tempo e que permeia toda a sociedade alemã diante das atrocidades cometidas no governo de Hitler.

Julgar? Julgar os soldados ou carrascos de uma geração cuja sociedade se serviu desses mesmos guardas e algozes, e que nada fizeram por acreditar no legado de um tirano? Condenar tais algozes não seria o mesmo que condenar também tios, pais que participaram de forma indireta em tal governo? Não seria também o mesmo que se condenar a mesma vergonha, uma vez sendo “filhos” dessa geração anterior?   Existiria,  realmente,  algum  código  moral  e   ético  capaz   de   resolver tais   questões?
Outro fato interessante, presente no drama, está relacionado ao amor e a piedade, e fica uma ou várias perguntas implícitas no filme: Até que ponto pode-se amar alguém quando se descobre que essa mesma pessoa participou de uma das grandes atrocidades já cometidas no mundo atual? E Hanna seria de fato culpada ou inocente por se filiar a SS, ainda que sem saber do que realmente se tratava ? Cabe a cada interlocutor tal reflexão.

São essas, dentre outras, as muitas perguntas que fazem do filme um grande sucesso, por ir de encontro às muitas feridas narcísicas que envolveram e ainda envolvem a sociedade alemã; uma geração que, hoje em dia, mesmo não tendo participado desse passado, ainda assim se encontra debaixo de uma sombra que perpassa o tempo e surpreende por saber que, infelizmente, a história dos campos de concentração não foi uma mera ficção.

Stephen Daldry aborda a temática dos campos nazista de um modo diferente de como é tratado em muitos documentários e revista, os quais, em sua maioria, costumam atribuir grande relevância aos atos criminosos. Nesse sentido, “O Leitor”, foge um pouco dessa perspectiva há muito tempo narrada, nos permitindo, com isso, avaliar e pensar de forma crítica sobre uma sociedade que também fora participante de tal barbárie ao atribuir poder, apoiar e contribuir de forma significativa com os muitos ditadores que abalaram o mundo e causaram tamanha ferida na História mundial.


Dados do Filme:

titulo original: (The Reader)
lançamento: 2008 (Alemanha) (EUA)
direção: Stephen Daldry
atores: Ralph Fiennes , David Kross , Jeanette Hain , Kate Winslet , 
duração: 124 min
gênero: Drama

Sinopse:

A sociedade acredita que é guiada pela moralidade mas isto não é verdade. O premiado diretor de As Horas, Stephen Daldry, mostra novamente toda sua força nesta história de medos e segredos escondidos pelo tempo. Hanna (Kate Winslet) foi uma mulher solitária durante grande parte da vida. Quando se envolve amorosamente com o adolescente Michael (Ralph Finnes)não imagina que um caso de verão irá marcar suas vidas para sempre. Livro com sucesso mundial de vendas, O Leitor é a uma história que nos levará a questionar todas as nossas mais profundas verdades.



sexta-feira, abril 23, 2010

Abertura dos Arquivos da Ditadura no Brasil

Pela Verdade e Memória dos Desaparecidos Políticos.




Maurício Grabois, desaparecido no natal de 1973. Comandou a guerrilha no Araguaia. São mais de trinta anos sem notícias de seu paradeiro.

Ana Rosa Kucinski, professora, desaparecida desde abril de 1974. Ela e o marido foram presos no centro da cidade de São Paulo, e as famílias esperam notícias até hoje.

Fernando Santa Cruz, líder estudantil, foi preso em 1974 numa rua do Rio de Janeiro e , mais tarde, levado para São Paulo. A família nunca mais teve notícias.

"Será que essa tortura nunca vai acabar?"


Participe do abaixo-assinado pelo direito a Verdade e a Memória dos desaparecidos políticos!


 

Muitas foram as pessoas de diversos lugares do nosso país que, para vivermos hoje em dia a democracia, morreram ou desapareceram lutando contra a ditadura de 1964. Mulheres amamentando; professores dando aula; mulheres grávidas, quando torturadas, abortavam. Outras foram estupradas e muitas desaparecidas. Militantes ou não, ninguém merecia tal inferno em vida.

Não eram bandidos - apesar de terem vivido em plena “terra de Mallboro”, mas universitários, professores, donas de casa, jornalistas ou bancários. Esses são alguns dos muitos militantes indignados ante aos nossos “anos de chumbo” de uma perseguição política que durou um bom tempo.

É realmente lamentável que os muitos governos no Brasil, ao longo desses anos, insistam em nos condenar, até hoje, ao desconhecimento de uma história que , por mais cruel e vergonhosa que seja, deve se tornar pública: as gavetas  do terror devem ser públicas, abertas sim! Antes mesmo que inventem e incinerem mais documentos evitando a sua consulta em prol do silêncio absurdo.

E não nos esqueçamos também das famílias dos , aproximadamente, cento e trinta desaparecidos políticos em nosso país; famílias estas que se encontram, nesse exato momento, angustiadas diante da falta ou pouquíssima informação de seus entes ou amigos queridos. Não podemos ignorar essa realidade! Realidade de uma busca constante, exaustiva e angustiosa que, infelizmente, não cessou.

Apesar de alguns documentos militares do antigo Sistema Nacional de Informações (SNI) estarem disponíveis no Arquivo Nacional e , parcialmente abertos ao público, sendo que alguns desses documentos voltados para a guerrilha do Araguaia , ainda assim isso não é o suficiente, se constituindo apenas como uma ponta de um grande Iceberg.

Existe uma frase de Lord Byron que diz: “ O melhor profeta do futuro é o passado.” Diante disso, veio uma pergunta: Será mesmo decente de nossa parte virarmos as costas ou fecharmos os nossos olhos compactuando com os criminosos como se o passado não existisse, perpetuando tal obscurantismo e crime? Pense nisso!

Simone Prado.



 "Um país que não conhece sua História está fadado a repetir os erros no futuro."
(*Fontes das Imagens: OAB-RJ)

quarta-feira, abril 21, 2010

Dança

A concha nos ouvidos é o teu som de paz.
Seus pés tatuados, mergulhados na areia branca,
É a sua dança e canção do corpo que baila.
Baila menina porque essa liberdade ninguém te compra.
Dança menina pela areia sob as ondas que abraçam os teus pés.
Baila menina porque o vento marinho também é seu:
Toca o seu rosto, penetra em suas narinas, estremece a espinha até
a ponta de seus cabelos negros tocarem teu rosto.
- Doutor? Médico?
- Não. Não há para ela melhor remédio!
Baila menina na beira da água azul,
de braços abertos como criança que não se cansa,
Respirando fundo e renascendo por dentro.
Como as estrelas que agora acordam
Lá, no fim daquele mar.