Poiésis

segunda-feira, setembro 20, 2010

Samurai de mim...



Um golpe de anos a cada folha revisitada.
Fez de mim samurai... Haraquiri:
Reler palavras suas escritas em papéis desbotados.
Suas confidências, seu planos
E não ter mais escolha...
Cartas aflitas de saudades e sentimentos puros,
E, mesmo assim, poder sentir suas declarações em verso simples, quase adolescente:

... aquela que vejo e quero,
Espero aflito.
Toda cor e paz que sinto,
É no teu abraço que encontro abrigo.

Tenho vontade de correr
Ser mais rápido que o tempo,
Só para te encontra e te amar,
E acabar com esse tormento.

Não haverá noite, lua imensa
Que comporte o amor e alma intensa.
É assim que te vejo
É assim que te sinto
Aflito


Haraquiri -
A cada folha amarelada,
A cada dia que passou comigo,
E de tantas vezes que me calei para te ouvir e aprender contigo.
Sim, me lembro. E como me lembro...
Só ficou um pedaço seu que me faz sentir você,
Sua letra, suas palavras num velho papel junto a mim:
Suas cartas,
Elas já não pesam mais sobre a minha cama...

Você dizia:


 ...não repare na minha letra, sei que ela é muito feia. Mas estou me esforçando... 

Pois você acreditava ser feia e tremida,
O que você não sabia era que, das muitas cartas na caixa de correios que recebia,
Era a sua letra, para mim, a mais bonita.


Sigo a minha linha sozinha.
Um dia, querendo ou não, tudo acaba.

Quando você se foi
As portas se fecharam
E a luz se apagou.




Letra: É hora de partir o coração
(Canção: Guilherme Arantes)

O trem entrou pela manhã
Freando na estação
No ar frio, vapores brancos
Da nossa respiração
Se misturando com a fumaça
E a vontade de chorar
Levei suas malas até o seu vagão
E te abracei em silêncio
Até o ranger das rodas
Começando a andar...

É hora de partir o coração
Sentir saudade de você
Amor...

Me dando adeus pela janela
Essa é a imagem que ficou
Naquela plataforma
Por um tempo que parou
Então fui-me embora
Ganhei a rua
Me perdi na multidão
Enxuguei o choro
Engoli em seco
A tua ausência agora
Meu caminho
É bem mais triste de trilhar

É hora de partir o coração
Sentir saudade de você
Amor...

sexta-feira, setembro 10, 2010

Análise crítica da obra "Criança geopolítica assistindo o nascimento de um novo homem", de Salvador Dalí.

iHola! iBuenos Días queridos leitores!

Hoje resolvi postar um trabalho que fizemos no segundo período do curso de Letras da Univ. Estácio de Sá, Nova Friburgo. Por gostarmos muito de tudo o que se relaciona a esse mestre da pintura, Salvador Dali, procuramos, eu e meu grande amigo Lohan Lage (um dos escritores talentosos do blog Autores S/A) mergulhar na observação crítica dessa pintura fascinante.
Portanto, eis um texto para vocês adentrarem em cada cantinho dessa belíssima obra surrealista. Então, chega de conversa e vamos ao que interessa.
Um beijão a todos!!

Criança geopolítica assistindo o nascimento de um novo homem, 1943 – Salvador Dali 
A pintura surrealista do espanhol Salvador Dali, “Criança geopolítica assistindo ao nascimento de um novo homem”, datada de 1943, receberá, no decorrer desse texto, uma interpretação genuína e minuciosa, tendo alguns aspectos embasados no contexto histórico- social em que esta obra foi realizada.
A escolha deste quadro pode ser justificada pelo nosso interesse pela corrente surrealista. Tal movimento artístico nos possibilita uma série de interpretações repletas de criatividade. Apesar de ir além do real, a historicidade está inculcada em suas representações, o que o torna mais fascinante.

A princípio, utilizamos uma estratégia, a qual denominamos “o primeiro olhar”. Esta prática nada mais é do que a extração da primeira impressão da pintura. Logicamente, nossa percepção inicial não permaneceu estratificada. Foi preciso dispor de uma atenção delicada nos detalhes do plano visual, detectando cada “ser” contido naquela tela. Ademais, observamos alguns traços que determinavam o posicionamento das figuras ali representadas, bem como a harmonia das cores utilizadas pelo pintor.
O próximo passo foi interpretar o motivo da colocação daquelas figuras, assim como suas posturas. De acordo com nossa visão, cada elemento naquele quadro fazia parte de um grande contexto (ainda a ser dito), como se fossem letras que, aglutinadas harmoniosamente, formaria um texto. E o que é uma pintura senão um belo texto imagético?

Já no plano visível, mergulhamos nas entrelinhas daquele texto surreal, permitindo que nossas mentes se afundassem, sem receios, sem limites. O processo de desenvolvimento do cerne da nossa interpretação foi intenso, e muito prazeroso, resultando na leitura dos parágrafos posteriores.

Tomemos como ponto de partida o foco central do quadro: Um planeta Terra aparentemente plástico, cujo meio é rasgado vorazmente por um homem que tenta libertar-se daquela clausura. Sob o planeta, um pano branco manchado por um liquido vermelho que parece ser sangue, causado pela abertura. Sobre o mesmo planeta, um objeto esfíngico e sombrio. Apontando para um dos continentes do astro, um ser aparentemente feminino, tendo a seus pés uma criança que parece muito assustada.

Ilustrado esse ponto, vejamos agora o plano invisível: O artista estaria calcado numa metáfora do nascimento, uma vez que o planeta, denotando um formato oval, assemelha-se ao útero materno. Enquanto o homem, o “ser nascente”, estaria lutando para romper aquela placenta invisível, sem sequer sofrer uma interferência auxiliadora da mãe Terra, haja vista sua deformidade e abatimento.

Observando, pois, a política geográfica do planeta, percebe-se que o homem nasce justamente do continente norte-americano, talvez pela força que ali pulsava – A força capitalista dos Estados Unidos da América.


Aos poucos vamos expondo nossa visão, tentando apresentar a interação de todos os signos do texto imagético. Acreditamos que, a figura demonstrada no lado direito da imagem seja uma mulher, baseando-se em sua ligeira semelhança estética e na criança que se protege em suas pernas. Ela, por sua vez, aponta para o planeta, tal como Deus e Adão foram representados na Capela Sistina, por Michelangelo. Diante dessa comparação, essa figura pode ser constituída como divina, ou, a responsável pela criação da Terra. Ou seja, a própria criadora estaria assistindo a destruição de sua criação. Isso já nos levaria à idéia renascentista, cuja temática principal era a sobreposição da razão humana sobre as questões divinas. Mas não foi nesta possibilidade que mergulhamos a fundo.


Retomando nossa linha de raciocínio, vejamos, agora, sob uma ótica contextual histórica: A suposta mulher aponta, especificamente, para o continente europeu, o qual manteve uma hegemonia político-social até o fim da Segunda Guerra. Diante dessa decadência européia no término da guerra, podemos firmar um contraste em relação ao homem que rompe no continente norte-americano. Esse contraste pode ser caracterizado por dois fenômenos naturais da vida: O nascimento, representado na América, e a morte, simbolizada pela Europa.

Ainda em relação à Segunda Guerra Mundial, nós podemos destacar outro traço marcante na pintura de Dali: No extremo norte do continente africano, observa-se o pender de uma lágrima límpida.


Aquela lágrima representaria a tristeza do mundo envolvido em tão terrível guerra. É válido lembrar que a África servira de palco para muitos combates naquela guerra, afinal, muitos de seus países permaneciam colonizados pelos europeus e americanos.


O sangue que escorre com o processo de nascimento do homem estaria representando as trágicas conseqüências da guerra, aliás, podemos ir mais longe – O sangue mostraria o quanto foi preciso para que aquele “poderoso ser” fosse gerado; quantas lutas, destruições e mortes foram necessárias para resultar no nascimento de uma nova potência mundial.

Na parte inferior do lado direito, observa-se uma criança, agarrada aos pés da suposta mãe. Esta criança, devido a sua aparência de terrível espanto pelo o que vê, proporciona uma série de indagações por parte do receptor.


No entanto, a interpretação mais cabível à nossa linha de raciocínio é a seguinte: A criança teria sido denominada no titulo como geopolítica, pois, devido a todas as atribulações da guerra, a geopolítica mundial estaria sendo fracassada, isto é, precisaria se reformular e nascer novamente. A geopolítica fracassada, representada pela criança, assiste àquele surgimento do novo homem com grande pavor. Além disso, esse pequeno ser figuraria a fragilidade do mundo diante do devastador poder que nasce no Novo continente; um novo homem, (como bem empregou Dali no título da pintura) movido pelos interesses capitalistas. Logo, a criança representaria um mundo refém de toda uma conspiração destrutiva e dominadora que partiria do forte homem, ou forte EUA.

Agora, nos transportando para o plano de fundo da pintura, podemos deduzir que um deserto é o ambiente que abrange todo o foco figurativo principal. No lado direito do quadro, enxerga-se ao longe a figura de uma pessoa, provavelmente acenando um “adeus”para algo.

O que seria? Dentro de nossa concepção, percebemos que possa ser um “adeus” ao poder hegemônico do Velho Mundo, uma vez que a figura está posicionada no lado do hemisfério oriental do planeta Terra, o qual engloba a maior parte do continente europeu, além de outros.

Ainda no plano longínquo da pintura, com base em uma ampliação, observamos, agora no lado esquerdo, uma figura aparentemente vestida de vermelho e preto, o que remete, psicologicamente, à personagem satânica.


Cremos que aquela presença maligna no lado do hemisfério ocidental do planeta Terra poderia ser justificada. Talvez seja porque o surgimento do poder capitalista esteja voltado para os E.U.A. O sentimento capitalista remete a busca incessante do poder, baseada na árdua competição. Essa questão é retratada de forma magistral no filme “O advogado do diabo”, dirigido por Taylor Hackford. Al Pacino, que interpreta o diabo em forma humana, oferece todo seu mundo de belezas e suntuosidades efêmeras a um jovem talentoso advogado, provocando sua vaidade e levando-o para a destruição. Assim estaria representado o capitalismo no quadro de Dali: O próprio Satã.

É interessante apreciar cada objeto dentro da tela, tentando aplicar uma significação àquilo. E assim fizemos em relação ao a uma figura que nos remete a idéia de um obelisco, no canto direito da pintura, ao longe.


Ora, obeliscos eram, no Antigo Egito, representações de poder. Dentro do desenvolvimento da nossa interpretação, essa figura se encaixaria perfeitamente, uma vez em que haveria, incutido no foco central, uma demonstração acalorada da mudança geográfica do poder.

Por fim, analisamos o objeto que parece ser uma tenda, a qual paira sobre o mundo. Algo muito enigmático, considerado por nós o grande mistério da pintura. Nos sentindo como Édipo diante da Esfinge, arriscamos sermos devorados e formamos uma interpretação, na tentativa de desvendá-la, evitando, claro, fugir do que já havíamos nos baseado. Quem sabe não nos coroam como reis, tal qual Édipo ao descobrir o enigma?


Aquele objeto de bordas pontiagudas seria uma representação onírica. Segundo Freud, no seu maravilhoso livro “A interpretação dos sonhos”, sonhos relacionados a cavidades ou a coisas que se abrem como uma flor, estão ligados ao órgão sexual feminino. Já o órgão sexual masculino seria representado por objetos pontiagudos. A cor preta estaria voltada para o negativismo. Ou seja, atentando para aquele dado objeto na pintura, imagina-se essa possibilidade, que “só Freud explica”, como muitos costumam dizer.
Como relacionar essa explicação com o que já foi deduzido? Ora, a pintura está envolta num sentido de nascimento. E nada mais coerente do que a junção de representações oníricas dos órgãos feminino e masculino em uma mesma figura. Figura esta que, por conseguinte, está acima do mundo, como se fosse a responsável pela sua geração. Estaria ela impregnada de um colorido negro e uma aura sombria, pois, devido à destruição causada pelo homem, estaria incidindo em si o reflexo negativo de sua criação.

O artista teria espalhado em sua pintura figuras de significações similares (A mulher criadora do mundo – o objeto que paira sobre o mundo como responsável pela sua criação; o poder representado pela força do homem que rompe do interior do mundo – o poder representado pelo o que aparenta ser um obelisco), assim como, inteligentemente, teria apresentado diversas antíteses, como: nascimento e morte, criança e adulto, o novo e o velho...

Enfim, trata-se de um trabalho genial de Salvador Dali, que permite a concepção de diversas leituras. Nossa interpretação foi reforçada pelo ano em que foi datada esta obra de arte, 1943. Neste ano, ocorria-se a triste Segunda Guerra Mundial, que veio a entrar em desfecho dois anos depois. Para finalizar, um rico acréscimo a nossa interpretação: Uma enigmática previsão do francês Nostradamus, enfatizando, misticamente, essa visão sobre o quadro de Dali. Agora, leitor, cabe a você a reflexão acerca desse mistério além do surreal:
“Ceux qui estoient em regne pour scavoir,
au roial change deviendront apouvris,
uns exilez sans apuy, or n’avoir,
lettrez et lettres ne seront à grand pris.”
“Os que estavam no reino por saberem,
pobres serão pelo cambio Real,
exilados sem ouro nem apoio,
os letrados bem pouco valerão.”

(Centúrias e presságios acerca da Segunda Guerra, Michel de Nostredame).
 
***** Uma observação que  não coloquei no corpo do texto; na verdade, se trata do pano branco que está por debaixo do que podemos chamar de Planta Terra... Entendemos que esse pano branco  simboliza a paz. Paz essa que não se sustenta diante da ganância do homem em sua busca constante de poder e dominação. Paz essa que não cobre o mundo, e que mal sustenta esse mesmo mundo , configurando uma grande utopia que rege as nações; haja vista o sangue que, na imagem, se derrama sobre ela.... *****


Fontes Bibliográficas:

- Shmidit, Mário; Nova história crítica, editora Nova Geração.
-Freud, Sigmund; A interpretação dos sonhos, editora Delta
-Cheynet, Ettore; Nostradamus e o inquietante futuro, editora Círculo do livro
(Geopolitical child watching the birth of a new man - Salvador Dali)

segunda-feira, agosto 30, 2010

O Amor é Uma Companhia... (Alberto Caeiro)


"O amor é uma companhia. 
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só. "

(Alberto Caeiro)

domingo, agosto 15, 2010

Andrea Doria e Renato Russo (Entrevista)

iHola! ¿Cómo estás ?

Hoje resolvi ouvir e postar essa música que curto muito chamada Andrea Doria, do álbum Dois (1986).
Como não se identificar com alguma canção dessa banda maravilhosa chamada Legião Urbana? Também acreditei que “poderia fazer florestas num deserto”, e que “o mundo era só improvisar...” Mas também percebi e aprendi que “vendi fácil aquilo que não tinha preço...” 
Música linda e letra também! Tem como ouvir e não se emocionar? Difícil, não?!
Abaixo do vídeo, consegui achar uma preciosidade! Uma entrevista concedida à Letras, Músicas e Outras Conversas pelo próprio Renato Russo sobre a composição de Andrea Doria.


Entrevista concedida a: Letra, Música e Outras Conversas - Leoni - Editora Gryphus, 1a. edição, pp. 66-67.


Leoni - Fiquei meio angustiado quando comecei a ouvir os discos porque às vezes não captava qual era o tema da letra. Eu achava que devia estar deixando escapar alguma coisa. Aí fiquei pensando em confessar a minha ignorância e perguntar. Andrea Doria, por exemplo...

Renato Russo- Ah, essa eu sei. Andrea Doria é a mesma coisa de Será: (com uma voz empostada) um jovem que quer mudar o mundo e que está tudo horrível. Uma coisa que a Legião sempre tem, uma menina da MTV colocou isso muito bem: parece muito um livro chamado Os Meninos da Rua Paulo. Se lembra do Nemetcheque? Era um menino todo bonzinho, queria fazer tudo direito e sempre tomava na cabeça. Ele acaba morrendo de pneumonia, parece. Seria um personagem como ele que estaria cantando essas músicas. É um jovem que acredita na virtude, em fazer as coisas corretamente, de acordo com as regras e fica batendo contra a parede porque esse mundo não funciona.

Renato Russo- Andrea Doria coloca bem isso, a questão da juventude, ter sonhos, fazer planos e esbarrar neste mundo de hipocrisia, de mentira, do capitalismo, de consumismo e a gente fica sem saber o que fazer. Andrea Doria é um navio mesmo. A idéia era fazer uma imagem meio E La Nave Va e coisas que talvez eu nunca me lembre porque entraram na letra. Na hora de escolher o título da música fizemos um monte de mitologias para a coisa ficar legal. Eu me lembro que Andrea Doria é um navio que afundou, a idéia era para ser: naufrágio. E no caso Andrea Doria é uma menina. O que ligou a música toda foi uma conversa que eu tive com a Luciana, mãe do Bi , e com a Tetê , no Crepúsculo de Cubatão . As duas estavam reclamando da vida ser muito difícil e a Tetê estava meio deprimida. Fiquei pensando: "Que coisa chata". Porque eram coisas que eu sentia também. Nem sempre adianta ser bom, ser honesto.

Renato Russo - Peguei essa situação inicial e fiz a música que é um diálogo entre uma menina que era cheia de vida, alegria e planos e que sempre me deu força e que nesse instante é quem está derrubada. Aí então sou eu falando para ela. Tem coisas que fala para mim e tem coisas que falo para ela: "Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo/ Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais". É aquela coisa dos planos, o mundo está horrível, mas nós vamos conseguir, vamos juntos etc. Aí no meio do caminho: "Mas percebo agora que o seu sorriso vem diferente/ Quase parecendo te ferir". Quando você entra no mundo adulto se não tomar cuidado deixa entrar o cinismo, fica "jaded" .

Renato Russo - a música é uma conversa em cima disso: "Olha, realmente a coisa é difícil, mas não é por aí". Termina justamente falando: "A gente tem toda a sorte do mundo", sem especificar, que bem ou mal a gente não é favelado, não morre de fome. "Sei que tenho sorte, como sei que tens também". Uma das grandes temáticas das letras é exatamente essa, só que são sempre pequenas situações, colocadas de um certo jeito que a pessoa interpreta de outra maneira. Sempre tem uma historinha, uma mitologia.


Um abração a todos ! i Hasta luego!

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quarta-feira, agosto 11, 2010

No Ciclo Eterno (Ricardo Reis)

" No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos. "
(Ricardo Reis)

domingo, agosto 08, 2010

La Valse d'Amelie.

Olá, poetas nessa vida! Tudo bem?!
Ontem, quando comentei num blog de um amigo sobre música, me lembrei de uma que gosto muito. Acredito que a música é uma das melhores invenções que o ser humano já criou , e uma das suas mais lindas manifestações artísticas também. Então resolvi postar a belíssima canção de Yann Tiersen, “La Valse d’Amelie”, aqui, no blog. Só hoje, enquanto lia um livro, devo ter ouvido umas trinta vezes . Sim! É verdade. Tenho essa mania meio bizarra de , quando gosto de uma canção, ouço umas “trocentas” vezes sem parar. Passa um tempo, deixo-a só um pouquinho de lado, vem a saudade e, ouvi-la novamente, é sentir a mesma emoção e encanto. Fazer o quê se sou assim? Se "recordar é viver... Então eu vivo!

Um beijão, e boa música!

sexta-feira, agosto 06, 2010

Só um lembrete de Roberto Shinyashiki e Mário Quintana...

Olá!

A matéria se trata de uma entrevista concedida a revista Istoé pelo psiquiatra e psicoterapeuta Roberto Shinyashiki, que muito de vocês devem conhecer ou terem ouvido falar.  No final dessa postagem, o poeta Mário Quintana também deixou um lembrete para vocês. Au revoir!

ISTOÉ – Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus, isso é uma verdade?

Shinyashiki – A sociedade quer definir o que é certo. Jeito certo não existe. Isso é uma loucura. São quatro loucuras da sociedade:

A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.

A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.”

A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.”
O resultado é esse consumismo absurdo.

Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.”
Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas.

As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

Felicidade não é uma meta...

...mas um estado de espírito.

Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete...

... ou levando os filhos para brincar.



Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz.”

Roberto Shinyashiki :

“... eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.”

Muitos, na hora da morte... “ dizem se arrepender por ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida...”

Mário Quintana também tem um lembrete: “Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.”

Pense nisso...
Um beijão!

terça-feira, julho 27, 2010

Pessoas...




" Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha.
É porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra!
Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só
porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós.
Essa é a mais bela responsabilidade da vida
e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso. "

(Charles Chaplin)



Para os queridos
amigos que visitam, seguem o blog, comentam ou curtem os textos por mim escritos.
Dedico essa poesia para vocês... Pessoas!
Um grande abraço, queridos!
Si.

terça-feira, junho 29, 2010

Violeiro



Há grande poesia nos versos
do resplandecer da Lua,
E o violeiro se encanta perplexo
como se ela fosse sua.

segunda-feira, junho 28, 2010

Acervo da Ditadura mofa sob goteiras em Brasília



"A principal preocupação do Arquivo, no entanto, não é com o armazenamento dos documentos da ditadura. Cercado por janelas com grade e com fios expostos pelos corredores, o risco de incêndio no local é iminente"


           Enquanto o governo federal compra briga com os militares para desvendar informações sobre a ditadura (1964-85), o Arquivo Nacional, em Brasília, guarda documentos sob goteiras e dentro de sacos plásticos, com risco iminente de incêndio.
           São quase 35 milhões de folhas, armazenadas em condições precárias, que narram a censura, a perseguição a militantes de esquerda e a ação das Forças Armadas em um dos momentos mais obscuros da história do país.Toda essa papelada ainda aguarda triagem dos arquivistas para a definitiva incorporação ao acervo.
           Os arquivos estão desde 1999 no prédio da Imprensa Nacional, que até hoje não foi adaptado para armazenar documentos históricos: não há saídas de emergência, o teto tem infiltrações e há fios expostos nos corredores. Os documentos guardados sob lonas e expostos a goteiras e infiltrações representam um terço do acervo do órgão na capital do país. Se fosse empilhada, a papelada chegaria a 5 km --o equivalente a um prédio de 1.500 andares.
           Com o tempo, muitos documentos mofam e são tomados por pragas, e aí necessitam de uma higienização antes de voltar às estantes. Boa parte desse material em quarentena está armazenado em sacos de lixo.
           A Folha teve acesso a todas as dependências do Arquivo Nacional e flagrou mapas que ainda seriam analisados jogados num canto do galpão e dezenas de caixas com documentos com sinais de que foram molhadas.
           No mesmo local em que estão as 35 milhões de folhas históricas há banheiros e uma copa para os funcionários, situação que é considerada irregular pela própria coordenação da instituição, já que a proximidade com banheiros e cozinha pode causar infiltrações.

Riscos

          A principal preocupação do Arquivo, no entanto, não é com o armazenamento dos documentos da ditadura. Cercado por janelas com grade e com fios expostos pelos corredores, o risco de incêndio no local é iminente.
           A Folha teve acesso a laudo do Corpo de Bombeiros que obriga o órgão a fazer uma série de adaptações para evitar incêndios, sob pena de interdição do prédio.
           O Corpo de Bombeiros deu 30 dias para que fossem criados sistemas de iluminação, alarme, sinalização, chuveiro automático e extintores. Segundo os bombeiros, o prédio nem sequer tem saída de emergência para a segurança dos 55 funcionários.
          "[O Arquivo Nacional deve] instalar saídas de emergências e adequar a edificação para garantir o abandono seguro de toda a população", diz trecho do laudo. O prazo dado pelos Bombeiros se encerra nesta semana, mas o Arquivo Nacional já trabalha para conseguir mais tempo

FILIPE COUTINHO
LUCAS FERRAZ
DE BRASÍLIA
(* Folha on-line 27/06/2010-09h27)


É infinitamente lamentável, repugnante ler e perceber o tamanho descaso com documentos importantes de um tempo tão difícil para muitos. Mas, pensando bem, estamos em plena época de São João e , uma fogueirinha a mais ou a  menos não faz diferença, não é mesmo? (Simone Prado)

Leia também: Arquivos Abertos da Ditadura

sexta-feira, junho 25, 2010

Formosa Fror (Cantiga de Amor)





Mia Senhor formosa Fror d’amor
Non poso lle negar mi amor
i Coitado de mi que vi mia Senhor!

Tua beleza me foi a mi doce tortura
Gran ben lle quero a tan bela candura
Nostro Deus há de cuidar de tan boa Dona
Não há para mi outra Senhor como que é fror
Neñuma moller vi como esta Dona

En teus raros paseos me contento
Ora me esváio
Ora me desatino por dentro
Quando non vexo a face de mia Senhor

A bela Dona que és Fror
Pero que non poso con ella falar
So restando a mi ollar a face bela
Que lumeame máis e máis
As frores , o verde, menten
Non son máis belos que a mia Senhor
Mia Senhor, formosa Fror,
Para sempre ei de amar

Se ella soubese como lle quero ben
Máis que a mi vida
Prefiro eu a morte, morrer a alma a míngua
Pelo coração que dispara por mia Fror d'amor

Autoria: Simone Prado
Poesia registrada na Biblioteca Nacional- Escritório de Direitos Autorais- (E.D.A- RJ))

Trovadorismo



           O Trovadorismo surge em Portugal no início do século XIII e tem seu fim no século XIV com Don Diniz, um dos últimos trovadores da época. Nessa fase, destaca-se na literatura portuguesa a poesia por meio das Cantigas, e, na prosa, as Novelas de Cavalaria. Portugal, nesse período, passava por um processo de consolidação nacional.
               A poesia trovadoresca possui como língua o galego-português que, na época, era tida como exclusiva da poesia lírica; além da obrigatoriedade que os poetas possuíam em adotá-la em suas práticas literárias.
              As cantigas de amor foram de extrema importância, pois serviram de base para a poesia lírica portuguesa e brasileira.
            Nesse período arcaico da língua portuguesa, tanto o lambidacismo (pronúncia que consiste na troca do r pelo l) quanto o rotacismo (pronúncia que consiste na troca do l pelo r - por exemplo, a palavra fror), e principalmente o rotacismo, foram características marcantes nessa fase. Além disso, foi constante o uso dos pronomes de tratamentos no gênero masculino - por exemplo: mia Senhor.
             As Cantigas de amor têm por finalidade a exaltação da imagem feminina, por esse motivo as palavras referentes à mulher amada são grafadas em letras maiúsculas, escritas em primeira pessoa, sendo o “eu-lírico” masculino. Este, por sua vez, declara o seu amor a sua dama, uma mulher da aristocracia que vive em palácios, idealizada e inatingível para a qual ele dedica todo o seu amor , e que , por esses motivos, ela passa a ser frequentemente vigiada por ele. Amor este proibido de ser sentido a dois por ser, a mulher, uma dama casada, esposa do seu senhor. Dama pela qual valia a pena ele morrer. Amor esse sublimado vivido por um vassalo.


quinta-feira, junho 24, 2010

Resenha crítica do filme "Entre os muros da escola ".

Resenha Crítica dentro de uma abordagem que envolve aspectos relativos à prática pedagógica, à globalização, questões da área cognitiva e afetiva na relação professor-aluno.



Resenha crítica do filme “Entre os muros da escola”.
(Entre les Murs, França- 2007.)



     O filme “Entre os muros da escola”, de Lautet Cantet, nos remete aos muitos aspectos conflitantes vividos em uma escola pública localizada no subúrbio de Paris. Grande parte da ficção se passa dentro de uma sala de aula composta por alunos de treze a quinze anos de idade com diversos problemas de ordem política e, principalmente, social. É possível, também, perceber as diversidades étnicas ali inseridas, cujas culturas e diferenças que cada aluno trás consigo acirra ainda mais o conflito entre eles no que diz respeito ao preconceito de raça, de classe social, etnias, dentre outros.
 
     Observando o filme, e analisando a prática pedagógica adotada pelo personagem François, pode se verificar que o professor Marin se mostra comprometido e disposto a enfrentar, através do diálogo, os muitos desafios que irão surgindo por parte daquela turma indisciplinada, no intuído de transformar os vários questionamentos dos discentes num aprendizado através da reflexão crítica. Ou seja, ser um educador naquilo que envolve uma preocupação com a transformação social que, segundo Cipriano Luckesi, possui grande importância por promover mudanças na história. Trabalhar nos alunos o conhecimento e o hábito de se fazer uma reflexão críticas dos fatos a fim de obter mudanças no modo de pensar e não simples reprodução do senso-comum.

     Os muitos conflitos sociais e questionamentos por parte dos alunos de diferentes realidades presentes naquela sala de aula, uma vez suscitadas, François utiliza cada momento para reflexão e esclarecimento. O professor passa a ser o mediador daquela realidade conflitante para poder extrair algum conteúdo a fim de que seus alunos adquiram uma conscientização moral, ética e política na intenção de promover uma transformação social através da reflexão e debate. Portanto, o docente deve “caminhar junto, intervir o mínimo indispensável, embora não se furte, quando necessário, a fornecer uma informação sistematizada.” (Luckesi- 2002, p. 25)

     A didática pela qual o professor apresenta os conteúdos referente à língua francesa, logo no início do filme, é uma didática que podemos chamar de progressivista (centrada no aluno), estimulando a troca de conhecimentos e experiências por meio dos diálogos cujo antiautoritarismo e a valorização das experiências vividas pelos discentes se fazem presentes por parte do educador no intuito de fazê-los refletirem sobre a importância de se aprender a língua francesa, o respeito aos colegas de classe e suas etnias etc. Porém, diante da resistência dos alunos em não aceitar seus métodos pedagógicos, desprezarem a figura do professor e sua forma de trabalhar, a sua pedagogia de caráter progressivista parece se perder no decorrer do filme.

     Segundo Cipriano Luckesi em seu texto “O papel da didática na formação do educador”, o docente deve possuir um compromisso com o ensinar de forma a transformar as relações humanas através de um processo dialético transformador. Transformação essa que se baseia numa troca constante de saberes e experiências entre o professor e o aluno, pois “ensinamos e somos ensinados, numa interação contínua em todos os instantes de nossas vidas.” Isso deve ser refletido também dentro de sala de aula.

     O educador deve ter consciência da importância de seu papel na sociedade, naquilo que envolve as suas práticas educacionais no sentido de ser sujeito da história que, através de seu caminhar, construirá o conhecimento, respeito aos outros conhecimentos, desenvolvimento do pensamento ético, moral, político e humano em seus alunos.

     Ainda que todo esse esforço seja aproveitado de forma mínima pelos discentes, tal empenho se refletirá, quem sabe, em uma sociedade mais justa. É ter consciência de seu papel, ainda que seja árdua a tarefa, hoje em dia, do educador. Este, por sua vez, deve estar compromissado com o “fazer” a história, contribuindo por uma sociedade e educação melhor. É um desafio constante.

     Nesse sentido, diante desses aspectos acima citado, observa-se que o professor François se distancia, no decorrer do filme, aos poucos dessa pedagogia progressivista, desse compromisso de fazer a história e provocar mudanças devido à grande resistência dos alunos. Isso fará com que ele passe a adotar algumas atitudes semelhantes a prática pedagógica conservadora na tentativa de passar o conteúdo da disciplina, ou seja, o estudo da língua francesa.

     Apesar dele se mostrar disposto a esclarecer para os alunos a importância das aulas de literatura e a aprendizagem da conjugação dos verbos no imperfeito do subjuntivo, por exemplo, ele esbarra em muitos questionamentos dos discentes ante aqueles ensinos, portanto tais resistências por parte dos alunos farão com que o professor mude a sua postura de ensinar. Os conteúdos passam a ser transmitidos pelo professor não de forma a proporcionar a compreensão do porque daqueles verbos e conjugação, mas se caracterizando como uma transferência de um saber através do seu autoritarismo.

     Não é visto, por parte dele, no decorrer do filme, uma construção baseada na troca de conhecimentos como demonstrava no início, na intenção de entender e fazer os alunos refletirem. A sua prática pedagógica passa a centrar na transmissão do conhecimento que, muitas das vezes, quando contrariado, o professor Marin costumava impor sua opinião ou suscitar uma discussão que não levava a lugar algum; pelo contrário, irritava mais ainda os alunos, agravando a desmotivação deles, levando- os a discutirem e até brigarem em sala de aula.

     Infelizmente, houve uma falha da parte do personagem, pois tal atitude tende a aumentar ainda mais o processo de exclusão do aluno do conhecimento devido à falta de compreensão daquilo que está sendo ensinado e sua aplicabilidade.

     O personagem François começa com uma pedagogia progressivista, porém esta, por sua vez, passa a dar lugar a pedagogia mais conservadora diante das grandes dificuldades que o professor encontra naquele hostil ambiente escolar. Ele não é o “herói” que “salva” toda uma turma como muito já vimos nos filmes voltados para a educação, mas, também, não é o vilão por tais atitudes.
 
     No que concerne ao aspecto afetivo, o professor até tenta estabelecer algo; por exemplo, na conversa que ele possui com o Souleymane na tarefa do autoretrato, porém o aluno não crê naquela conversa, na atenção dispensada, achando que tal valorização da parte do professor fazia parte de um plano para que ele e os outros alunos fizessem a lição proposta. Teria esse questionamento por parte de Souleymane um fundo de verdade , ou não?

     Se ainda existia um fio mínimo de afeto por parte do professor, parece que tudo fora posto por terra, haja vista as muitas discussões em sala de aula e, mais tarde, com as duas alunas representantes de classe que, após terem mentindo sobre a conversa dos docentes no conselho de classe, provocou a ira do professor chamando-as de vagabundas. Ou seja, o que se pode tirar disso, dessa lição, é que o clima afetivo entre professor e aluno é muito importante para a construção da auto-estima e o desenvolvimento cognitivo, pois o processo de aprendizagem se dá através do relacionamento interpessoal forte entre ambos. Dependendo de como se dá essa relação afetiva, ela pode ser responsável pelo sucesso ou fracasso na aprendizagem. “Envolve estar atento ao aluno e se preocupar com o mesmo.” (Vera Candau- 2001- p. 14)

      Referente ao campo da cognição, à relação entre professor e aluno, no filme, envolvendo aspectos em sua dimensão humana, político e social, verifica-se que foi bastante prejudicada devido à resistência dos alunos em não aceitarem o ensino da língua francesa e as orientações e práticas pedagógicas do professor François. O professor até se esforça em fazer com que a turma aprenda a língua local e sua importância, porém é possível perceber que poucos foram os que aprenderam, e outros não aprenderam nada. Nesse sentido, entendo que a falta de afeto e a grande dificuldade de aceitação do professor François Marin, por parte do aluno, fizeram com que este profissional falhasse em seu papel de educador, e a sua autoridade como mestre vai aos poucos sendo abafada, dando lugar ao autoritarismo que passa a ser evidenciado em alguns de seus confrontos com os discentes diante da postura agressiva deles, como, por exemplo, o personagem problemático Souleymane e a aluna Khoumba, principais questionadores e rebeldes que desprezavam a autoridade do professor como um profissional da educação.

     Observa-se, portanto, o quão importante é o desenvolvimento afetivo-emocional professor /aluno para o desenvolvimento do cognitivo, pois o estímulo afetivo capacitará o aluno (se ele de fato quiser) a conhecer a si mesmo, promovendo a auto-estima e, como resultado, o aluno passará a se conhecer e situar-se melhor no mundo.

     Concernente a globalização e seus efeitos no campo da educação pública, de acordo com o filme, “Entre os muros da escola”, tende a aproximar vários países, idéias e culturas. Ou seja, a globalização cria paradigmas e seus efeitos passam a ditar isso ou aquilo que devemos fazer, pensar e perceber as coisas no mundo.

     Segundo Minayo (et all, 2001) , tudo se torna efêmero , descartável diante da agressiva conquista de mercado por meio do poder que possui e exerce a globalização, refletindo-se também no modo como as pessoas devem “perceber” e aceitar as coisas. Esse efeito é algo amplo e dinâmico no mundo atual, portanto o individualismo e tudo que se mostra diferente tende a ser amenizado para sobressair aspectos que devem ser comuns a todos: mesmo gosto, estilo, não importando qual lugar, país ou cultura. A homogeneização é o seu grande alvo. Dessa forma, o controle é mais fácil.
A educação, por sua vez, tende também a sofrer tais efeitos uma vez que ela não é neutra, mas, nem por isso, alienada.

     Se compararmos, é possível perceber no filme de Laurent Cantet uma aproximação com a Europa e a América Latina, com a sala de aula francesa e a brasileira, na atitudes, gostos, músicas, indisciplina, falta de respeito ante ao professor e, até mesmo, nos problemas dentro da classe como os muitos celulares ligados e tocando em plena aula. Tudo isso pode ser visto aqui no Brasil, por exemplo.

     Outro aspecto comum aos dois países ante a nossa realidade, hoje em dia, se encontra na dificuldade que os professores possuem em fazer o aluno perceber e entender o quão importante é a análise crítica daquilo que se mostra como “verdade”, ou seja, a realidade alienada e alienante na qual vivemos. Infelizmente, a falta de hábito de uma análise crítica das coisas encontra apoio na grande resistência por parte dos discentes; não só dos discentes, mas da população em sua grande maioria. A falta de leitura é uma das maiores contribuidoras para tal desinteresse.

     Portanto, eis um filme envolvente através de uma realidade tão próxima ao que se vive nas muitas escolas públicas hoje em dia. Filme para muitos debates sobre práticas pedagógicas, relacionamentos professor /aluno conturbados, ou não, vividos dentro de uma sala de aula.


Dados do Filme

Título original: Entre les Murs
Gênero: Drama
Ano de lançamento: França- 2007
Direção: Laurent Cantet
Roteiro:Laurent Cantet, François Bégaudeau e Robin Campillo, baseado em livro de François Bégaudeau

Sinopse


François Marin (François Bégaudeau) trabalha como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio, localizada na periferia de Paris. Ele e seus colegas de ensino buscam apoio mútuo na difícil tarefa de fazer com que os alunos aprendam algo ao longo do ano letivo. François busca estimular seus alunos, mas o descaso e a falta de educação são grandes complicadores




  

domingo, junho 20, 2010

Radical Chic e Gatão de meia-idade (1)

Ahhh... Esse blog não poderia nunca esquecer e deixar de prestar uma homenagem ao excelente cartunista brasileiro Miguel Paiva e seus personagens Radical Chic e Gatão de meia-idade. Ela: linda, radical, sem tabu, transparente, autocrítica, sexy sem jamais perder a pose e chic. Muito chic! Era presença confirmada na Revista de Domingo do JB. E como não se identificar com alguns de seus pensamentos e situações cotidianas sobre sexo, homens, casamentos, e por aí vai.





Ele, Gatão de meia-idade, povoado de sentimentos e vaidades masculinas e... algumas broxadas de um homem de meia idade.(rs)
 
 



Haja Viagra!!! (rs...)


Leia também: Radical Chic e Gatão de meia idade (2): Namorada para todas as idades

Lumiar- Nova Friburgo


Imagem:by Si.



Preciso do descanso e dos dias  de férias...
Então eu preciso de Lumiar grande,
Aberta e caudalosa.
De abrir a janela e rir sozinha como se tudo fosse meu.
Do seu cheiro de chuva de montanha
E os pinheiros de Mury!
Dos cavalos e cavaleiros que tocam a sua gaita gostosa.
Das suas luas e noites fartas
Que enfeitam a velha praça
E lumiam e renovam a minha vida.

Tenho que aprender com a Nana...

Tenho que aprender com a Nana a ludibriar o tempo.
Mostrar para ele que não tem jeito,
Que é ele que morrerá por mim, e não eu por ele.
Não o esperarei bater em minha porta: Ela já está aberta.
- Mas eu? Ah, eu já saí!
- O tempo? Que pena. Chegou um pouco tarde. Não quis esperá-lo.
Insistiu. Deixou um bilhete. Disse que voltaria.
Voltou. Bateu uma vez. Dessa vez, em minha janela.
Me encontrou.
E dizia que só queria estar comigo, segurar a minha mão,
Pois ele me serviria de melhor companhia e também de solução.
Fiquei parada, calada, não queria reviver o tormento.
Insistiu em ficar, cuidar das minhas feridas, da minha falta de alento.
Mas ele... Chegou um pouco tarde e não lhe permiti argumento.
Não darei para ti a minha companhia,
E não será um em mim por mais que você insista.
- Leve contigo esse retrato surdo, esquecido e calado!
E o seu tempo e a distância que só deixaram lembranças
Que agora bate a minha porta, insistindo em ficar...
- Mas eu? Ah, eu já estou de saída!
Saio daqui para renascer E você, tente me esquecer.

* Poesia que fiz dialogando um pouquinho com a belíssima música de Nana Cayme, Resposta ao Tempo.