Versos ficcionados e construídos por aqueles que rimam histórias, tecem sentidos... Retiram das palavras poesias, Metrificam e fazem versos dos dias - Também são partes de mim, E poesiam toda uma vida! (Simone Prado)
Essa sensação de ir descalço, a camisa... cheirando a sol de varal.
Tu, minha mulher, eras corrente e água calma, as oscilações da palha e trigo. Teu corpo arvorava nos lábios indecisos ou nos cabelos? Na encosta da cinta ou nas dunas dos seios? Quando começavas a te revelar? No desejo apetecido ou na fome de um filho? Como definir se a luz deitou as vestes? Cumprias distâncias em mim. Madrugando não alcançaria. Venho de tua lonjura, os braços eram remos no barco e aço da âncora. Acostumado à extensão das raízes, não sobrevivo no vaso dos pés. Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço. Como povoá-lo após tua partida?
Longínquas na noite Mesmo assim percebi você Passeando na cidade Tentou se esconder no meio dela Você sabe onde posso te encontrar... Mas você não se importa, no fundo Quer mais que te encontre
Sim, eu te vi Eu posso ficar aqui Ficar com você Fazê-lo feliz Até que de ti surjam asas E voarás para fora, para longe Para longe de ti Só assim sairás da tua escuridão Basta que feche os olhos E sinta esse momento
Não tenha medo Não tenha medo de cair E se cair Encontrarás o meu peito Não tenha medo É assim mesmo Essa lua que agora surge
Imensa no breu
Essa música que você ouve agora É sua... Ela sempre foi sua Sai de dentro de ti Sai da tua janela E percebe que a noite Já não é mais tão longa assim Você diz que agora ela passa
rápido Sim, passa rápido... Eu sei É assim mesmo
Lá fora cai a chuva
E na noite, você me abraça
Posso ficar por aqui
Posso sentir as suas asas Sentir que você voa Voa pra dentro de mim
Não tenha medo Não tenha medo de cair Porque se cair Encontrarás o meu peito
calendário – desajeitados dias sobre macas peitos espigões: vai o barco sobe ruas navegando para trás entre moedas e batons móveis o piso de madeira pai bisavó taças sobre a mesa avô cochilando na despensa
onde? a rua da misericórdia janela do céu: crianças - despencam telhados ...
que seu amor seja como à tarde de canto dos pardais: em algazarra, num alvoroço de pios em pleno fios elétricos.
Mas se tiver certeza que é amor de verdade, então que ele seja alvoroçado, porque, assim, como breve é o pouso dos pardais, rápida também chega à noite e engole o canto.
Mas um belíssimo texto desse escritor sensível que é o Caio Fernando Abreu.
E quem nunca viveu ou passou por isso um dia: Ser importante e, de repente, perceber que não é mais? A questão é saber viver, saber levantar a cabeça e seguir em frente. Um texto desse, de grande qualidade literária, não poderia mesmo ficar de fora do Poesia em Si. É uma temática que, dentre outras, explora os modos de amar e não o medo de amar:
“(...) Ela não desiste e leva bóias, e se ela se afogar, se recupera.”.
Todo o texto é lindo, de grande maturidade e verdade comum a todos nós. Espero que vocês curtam esse belo conto!
Um grande abraço! Um abração!
Si.
“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo; se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas: de se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias, e se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta.
E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros vieram ao mundo.”
"É de nós, as Aves, que os Homens recebem as maiores bênçãos.
Por nós, ficam a saber da chegada da Primavera, do Inverno, do Outono.
O grito da garça, durante o seu voo para a Lybia, anuncia-lhes que é tempo de semear.
Por nós, o comandante do navio fica a saber que pode abandonar o leme e dormir uma noite descansada.
Por nós, Orestes sabe que deve tecer uma capa quentinha para o Inverno —
não vale a pena deixar-se enregelar durante as suas expedições de ratoneiro.
Quando surge o Milhafre, nova estação se aproxima!
É o tempo da tosquia, quando chega a Primavera, e as andorinhas aconselham a troca das roupas quentes por vestes mais estivais."
" PISTETERO- Hay infinitas pruebas de que las aves, y no los dioses,
reinaron sobre los hombres en la más remota antigüedad. Empezaré por
citaros al gallo, que reinó sobre todos los persas antes que todos sus
monarcas, antes que Darío y Megabises; y en memoria de su reinado se
le llama todavía el ave pérsica."
Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem.
Queridos amigos, poetas e leitores do Poesia em Si!!!
É com enorme alegria que publicoo convite de lançamento do livroPoesia é isso, pela Editora Multifoco, do jovemautor Lohan Lage Pignone, cujo prefácio eu tive a honra de escrever. Deixo aqui um trechinho para vocês saborearem:
"O livro Poesia é isso, que a Editora Multifoco oferece aos leitores, reúne o melhor da poética do jovem Lohan Lage Pignone. A presença marcante da qualidade de suas poesias abragem uma diversidade de temas como amizade, o tédio, os gritos do corpo, a relação do homem com uma barata ou, até mesmo, a beleza da cruzada de pernas da prostituta.
A inquietude do poeta quanto à alienação e o absurdo que se configura a existência humana ante uma "ilusão de óptica/ Uma atração hipnótica" de uma vida monótona, "preta e branca", em frente à tela de TV, pode ser conferida em "On-Off", cujo sujeito lírico parece fazer uma constatação:
Quando me liguei
Já estava ligada
Quando desliguei
Permaneci ligado
(...)
Sua vida é a cores?
Minha vida é preta e branca
Tarde demais
Quando me liguei... Ela já estava ligada. "
É isso, pessoal! Com certeza o seu lirismo, sua poesia multifacetada dialogando com o cotidiano, com o erotismo, além de uma pitada de humor, nos surpreenderão!
Portanto, não percam! Será no sábado -03/09- a partir de 18h, no lugar mais carioca do Rio de Janeiro: no Espaço Multifoco, na Lapa!! ( Av. Mem de Sá, 126- Lapa)
Pessoal! Que saudade do meu espaço com cheirinho de jasmim que é isso aqui ! Estou sumida um pouco; eu sei. Mas, assim que acabar as provas, prometo publicar bastantes coisas interessantes nessa casinha que eu amo estar. Tenho várias postagens em mente, de alguns amigos poetas, escritores e pintores também. E estou ansiosa em vê-las aqui! Um beijão a todos! É rapidinho, viu? Volto já , já! Bjs!!! Si : )
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima."
Amo essa música. Por isso resolvi publicá-la. Além , é claro, da graciosa produção em stop motion também!
O clipe conta a história de um rapaz que ouve o pedido de socorro de uma moça seqüestrada por um esquilo gigante; ele passa por diversas situações para poder resgatá-la, até que consegue eliminar o animal com uma noz explosiva, libertando-a finalmente.
Gostei muito do vídeo porque remete ao amor e as suas sensações de estar além da realidade, acima das nuvens, desafiador da lógica, e , segundo ao clipe e letra, como crianças sorrindo num balanço; de querer estar com e ser apenas feliz. Sentimento absurdo, surreal ou nonsense? Ah, que seja então! rsrs...
“I remember we were walking up to strawberry swing"
Calma rapazes porque, às vezes, é como se fosse assim mesmo, rs. São aqueles dias que estamos só um pouquinho sensível demais. Mas também é aquilo, passa rapidinho, é só ter um pouquinho de paciência! Outra, só daqui a vinte dias, rs!
Bjssss... e Bom dia!!!!!!!!!! : )
Trrrriiiimmmmmmm......
Hum.... hum.... Zzzzzzzzzzzzzzzz.....
Trrrriiiimmmmmmmmmmmm......
- Puta que o pariu!!! Três da manhã!!!! Será que médico não tem o direito a dormir não, caramba!!! Alô!
-Doutor... Sou eu, Evanecilda Sã.
- Hum... hum... ZZZZzzzzzzzz....
-Doutor, o senhor está me ouvindo? Doutor???? Tá aí, ainda?!
- Hum... O quê...? O que é que você quer Evanecilda?!
-É porque hoje, doutor, estou naqueles dias... Queria uma recomendação sua.
- Hummm... Zzzzz... dias... Zzzz... HUM??! Que dias?!
- Ihhhh... doutor Riconaldo... São aqueles dias, um tanto que fico sensível... Mas dessa vez foi um pouco mais forte. Exagerei um pouco, aqui, em minha casa... É porque nesses dias eu fico um tanto explosiva, sabe? Mas é só nesses dias, depois passa.
- Mas o que foi dessa vez? Não me diga que congelou outro gato !!!!
- Não... É que... gostaria de saber só uma coisinha:
Olá! Deixo aqui publicado o poema que mais gosto e tenho profunda admiração; e que desejo a todos vocês, leitores do blog. Espero que vcs curtam também! É isso! Um beijão!
Os Votos
( Sérgio Jockymann)
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar
E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo
Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.
Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada
Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem
Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar
Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar
E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar
* Esse poema circula como sendo "Desejo", de Victor Hugo. Mas ele não é o real autor.
Pessoal, hoje resolvi quebrar de vez o protocolo do blog, rs!
Mais é por uma ótima causa! Olha, eu não ligo muito para propagandas de carro e nem de carros ( a não ser aquela belíssima máquina que faz parte do clipe “Desert Rose” , de Sting; quem assistiu sabe bem do que eu estou falando), mas esse clipe da Kia , de fato... me deixou de boca aberta. Lindo demais! A produção, as cores, os efeitos fazem desse vídeo pra lá de interessante. Se trata de uma produção em HDTV para o YouTube. A máquina? Claro! O belíssimo Optima 2011, também conhecido como Magentis. Não deixe de conferir.
Passei aqui rapidinho para deixar uma dica sobre esse livro que estou lendo e que é lindo pelo conteúdo e imagens: “ Ai vai meu coração”, da autora Ana Luisa Martins.
Confesso a vocês que me sinto a própria narradora do conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector: leio pouquinho que é pra não ter que acabar logo.
O livro aborda o caso amoroso vivido pela pintora, registrado em cartas apaixonadas endereçadas a Luís Martins.
As cartas de Tarsila reunidas em "Aí vai meu coração", são escritas com muita paixão (por Luis) e empolgação (pela atenção que sua obra despertava) para o marido, que estava no Rio ou na Europa e que já iniciava o processo de separação. Quando a união acaba, Tarsila tem 64 anos, e ele, 43. Luís, então, se casa com a escritora Anna Maria, de 27 anos. O livro inclui também as cartas de Anna Maria para Luís Martins, trechos da autobiografia do crítico e crônicas publicadas por ele, que tratam, com poucos rodeios, das dificuldades da separação e do novo casamento - que enfrentava oposição aberta dos tradicionais Amarais.
Tarsila do Amaral tinha 47 anos quando conheceu Luis Martins, com apenas 26. Os dois se apaixonaram e viveram juntos por 18 anos, relação que se encerrou quando o jornalista e crítico de artes se uniu à escritora Anna Maria Martins - mãe da autora desse livro -, 16 anos mais nova do que ele. No mesmo período em que o casamento acabou, a pintora viu sua obra ganhar grande reconhecimento, consolidando a importância que já se sabia desde os primeiros anos do modernismo, quando realizou sua tela mais famosa, "Abaporu".
, decidido e envolvente no seu estilo. Ah, eu sou esse nó na sua gravata, Florentino... Como tudo em você é lindo. Tudo isso em você me atormenta, Florentino, por mais que eu diga não. Seus olhos virulentos de languidez me seguem pelos espelhos da sala, ou pelas frestas da porta a causar-me doce desassossego. São os seus passos que agora se aproximam apressados ao meu encontro. E quanto a mim, nesse quarto, o que mais posso te oferecer senão o Frank: I've got you under my skin, alguns cigarros e balas Halls menta dispersos em minha bolsa? Você se aproxima, se despe sem pudor a face e desejos. E eu... I'd sacrafice anything come what might for the sake of having you near!! Estou por você presa a essas mil e uma folhas amarelas de um desassossegado lirismo e galanteio em prosa pra lá de poética sem fim. Que costuram as páginasdesse meu livro me impedido de ti, à noite, fugir, Florentino! Ah, Florentino, se você soubesse... Correria quilômetros, léguas te propondo vários, mais vários casamentos felizes!!
Entre, sente e se acomode. A casa é novinha, decorada com quadros de poesias. Tem cheirinho de jasmim nas pétalas de cada palavra aqui escrita. As janelas são enfeitadas com violetas e estão sempre abertas para entrar o ar puro do lirismo e da reflexão sobre a vida. Então, descanse um pouquinho e sinta-se à vontade. E quando quiser volte sempre! Você é bem-vindo!
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Cantinho do Poeta
Para vocês que visitam o blog,
Deixo-lhes um beijo e uma flor.
Não as de espinhos,
Mas aquelas sem dor... Multicor. Como as flores do campo:
Coloridas e vivas... Sem pranto. (Si.)
Prêmio Veja Blog
Vej@Blog- Seleção dos melhores Blogs/ Sites do Brasil! - Poesia em Si foi selecionado por nossa equipe e está fazendo parte da maior e melhor seleção de Blogs/Sites do País!! Parabéns pelo seu Blog!!! Um forte abraço, Dário Dutra.
Muito Obrigada !!
Galeria Poesia em Si
(Mulher em Frente ao Espelho- 1932- Pablo Picasso) Em meio a perfeita combinação de cores, Picasso parece promover todo um erotismo subjacente revelado nas curvas e nas formas arredondadas da moça.
"Mulher em Frente ao Espelho" (Pablo Picasso)
Uma obra artística, atemporal e muitíssimo interessante que envolve um aspecto muito apreciado pelos artistas plásticos: a temática do espelho. Dentre as muitas obras que abordam tal assunto temos: “As meninas de Velásquez ” ; “Casal Arnolfini”, de Jan Van Eyck, cujo espelho de um rosário situado na parede, ao fundo da imagem do casal, parece revelar um outro enigma interesante a ser analisado.
Na literatura tal temática é verificado em "Mirror", de Sylvia Plathy, e no conto “ O Espelho”, de Machado de Assis, em que a alma humana é impingida por um caráter alienador na tentativa de viver longe, fora de si: “ Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação”. Nesta obra, uma grande ambigüidade é tratada e analisada pelo autor ao que se refere à alma e o poder de ser ela própria ou assumir a máscara alienante do "outro".
Ao que tange a imagem feminina na obra "Mulher em frente ao Espelho", nos permite, dentre outras possibilidades, interpretar a imensidão da sensibilidade da mulher do nosso século em lidar com as adversidades da vida através de um reinventar constante de seu coração, de seus espelhos da alma. Espelhos que ela guarda somente para si e que revelam ânsias, frustrações, angústias e medos que não condiz com sua alma sensível, estando ela em plena contradição com o sistema sufocante a qual se encontra a mulher. Para tanto, muitas das vezes, utiliza-se de máscaras para vivenciar dentro de si vidas alheias numa só.