Poiésis

segunda-feira, novembro 24, 2014

Dia de folga



brisa lustra 
telhados
na manhã escura

chuva fina 
cobre a rua
vazia

...

embaixo da manta
até os feriados
preferem ficar na cama



domingo, novembro 23, 2014

Poesia





pássaro amarelo
rompe o vil papel
voa no azul claredento
e faz ninho 
nos meus olhos

sábado, novembro 22, 2014

Poesiando...




Versos ficcionados e construídos
por aqueles que rimam  histórias,
tecem sentidos...

Retiram das palavras poesias,
Metrificam e fazem versos 
dos  dias -

Também são partes de mim,
E  poesiam toda uma vida!

(Simone Prado)

sábado, novembro 01, 2014

Poesia visual



































sexta-feira, outubro 24, 2014

SÉTIMA ELEGIA


SÉTIMA ELEGIA


Essa sensação de ir descalço, a camisa...
cheirando a sol de varal.

Tu, minha mulher, eras corrente e água calma,
as oscilações da palha e trigo.

Teu corpo arvorava nos lábios indecisos ou nos cabelos?
Na encosta da cinta ou nas dunas dos seios?
Quando começavas a te revelar? No desejo apetecido
ou na fome de um filho?
Como definir se a luz deitou as vestes?

Cumprias distâncias em mim.
Madrugando não alcançaria.

Venho de tua lonjura, os braços eram remos
no barco e aço da âncora.
Acostumado à extensão das raízes,
não sobrevivo no vaso dos pés.

Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço. Como povoá-lo
após tua partida?


(CARPINEJAR, Fabricio. In: Sétima Elegia. Terceira Sede, ed. Escrituras.)


"Liberdade na vida
é ter um amor para se prender"
CARPINEJAR

* Elegia é uma poesia triste, melancólica ou complacente, especialmente composta como música para funeral, ou um lamento de morte.

sábado, junho 21, 2014

Não tenha medo


Daqui do alto, luzes pequenas
Longínquas na noite
Mesmo assim percebi você
Passeando na cidade
Tentou se esconder no meio dela
Você sabe onde posso te encontrar...
Mas você não  se importa, no fundo
Quer mais que te encontre

Sim, eu te vi
Eu posso ficar aqui
Ficar com você
Fazê-lo feliz
Até que de ti surjam asas
E voarás para fora, para longe
Para longe de ti
Só assim sairás da tua escuridão
Basta que feche os olhos
E sinta esse momento

Não tenha medo
Não tenha medo de cair
E se cair
Encontrarás o meu peito
Não tenha medo
É assim mesmo
Essa lua que agora surge
Imensa no breu

Essa música que você ouve agora
É sua... Ela sempre foi sua
Sai de dentro de ti
Sai da tua janela
E percebe que a noite
Já não é mais tão longa assim
Você diz que agora ela passa rápido
Sim, passa rápido... Eu sei
É assim mesmo

Lá fora cai a chuva
E na noite, você me abraça
Posso ficar por aqui
Posso sentir as suas asas
Sentir que você voa
Voa pra dentro de mim

Não tenha medo
Não tenha medo de cair
Porque se cair
Encontrarás o meu peito

Mas

Você já não tem mais medo

Nov / 2009

quinta-feira, junho 12, 2014

Calçada


















,noite alta
av. rio branco

deitados
pequenos pés
descobertos

e a poesia à espreita

aquele que acordar
acende a luz do sol:



segunda-feira, junho 09, 2014

Anne Sexton


calendário –
desajeitados dias
sobre macas
peitos espigões:

vai o barco
sobe ruas navegando
para trás entre
moedas e batons

móveis o piso de madeira
pai bisavó taças sobre a mesa
avô cochilando na despensa

onde? 
a rua da misericórdia

janela
do céu: crianças -
despencam telhados

...

onde?

garagem,
vapor
rompe o barco

chão –  o copo
de vodka:
a rua não é essa aqui.





segunda-feira, maio 26, 2014

Partida


, cama
  lençol
cuidadosa saída

antes

íris -

um gato
da janela do quarto
ganha os jardins

roupas
rápidos
objetos
recolhidos
descem escadas

giro das chaves

carro
e o lençol de flores
estampado na memória:
ao lado -
ninguém.










quinta-feira, abril 17, 2014

Chris Orwig - visual poetry

Poesia Visual...

                   Foto: Chris Orwig (visual poetry) 

                   A chuva suave nas ruas de Seattle, e a criação desses belos reflexos.

Landnemar

Poesia visual ...


    
                                   Foto: Álvaro Sánchez-Montañés - Landnemar

domingo, novembro 24, 2013

Palavras Poucas

 
quando poesias se encontram,
as palavras, às vezes,
não conseguem dar conta ...

                            imagem: Sebastião Salgado

 

domingo, outubro 27, 2013

INVERNO



INVERNO


nevoeiro
vento

um farol
se lança 


foi...

desrumo –

solidão na proa

sábado, outubro 19, 2013

Parada Obrigatória



,tons
estrela
      cadente


íris -

via láctea
porosa
invertebrada

    . . .

vez
em quando
boa sensação
de não ter
espinha dorsal:







segunda-feira, outubro 14, 2013

Velha casa


,melros na varanda
violetas
resmungos

Aruçu sentado
latido a espera
no portão

e o cheiro de feijão
por trás daquela porta


trancada.

quarta-feira, junho 12, 2013

Outonando


...

,chuva
vento frio
lá fora

agasalhos
batem à porta:

abraços
de amigas


domingo, abril 07, 2013

Quintal

 
No quintal da minha casa o frio chega, desce o morro...
 
 
 
 
                       
...e no coração o lugar pra chamar de meu - esse que é todo, todo Lumiar!
 

terça-feira, abril 02, 2013

Conjecturando pardais

     (Luiza Maciel Nogueira)



Se descobrir que ama
que seu amor seja como à tarde de canto dos pardais:
em algazarra, num alvoroço de pios
em pleno fios elétricos.

Mas se tiver certeza que é amor de verdade,
então que ele seja alvoroçado,
porque, assim, como breve é o pouso dos pardais,
rápida também chega à noite
e engole o canto.

quinta-feira, março 21, 2013

Rio, de Janeiro


formação plúmbea,

...

céu 
 [rezado]
          
precipitam
...

microfones
páginas de
jornais




quinta-feira, maio 10, 2012

Plus Tard




PLUS TARD



plataforma –
bengala
roupa engomada
seu chapéu de palha na mão

malas entre abraços
a rapidez dos pés,
o correr das cenas
sob pálpebras apertadas

ansiedade –

velho corpo malhado
embaixo do chapéu de palha
aguardava

. . .

último trem da estação –

filho que não veio.


terça-feira, abril 03, 2012

Tarde


                                               
TARDE




fila 
de
óculos

trajes
pretos

 na grama
molhada,
melancolia
dos pés

 orações – 

homem

olhares

no túmulo
violoncelo –  
Adágio, de Albioni
chorava o filho
                                                                                  

terça-feira, março 20, 2012

Aquela moça...

Oi!!
Mas um belíssimo texto desse escritor sensível que é o Caio Fernando Abreu.

E quem nunca viveu ou passou por isso um dia: Ser importante e, de repente, perceber que não é mais? A questão é saber viver, saber levantar a cabeça e seguir em frente. Um texto desse, de grande qualidade literária, não poderia mesmo ficar de fora do Poesia em Si. É uma temática que, dentre outras, explora os modos de amar e não o medo de amar:
“(...) Ela não desiste e leva bóias, e se ela se afogar, se recupera.”.

Todo o texto é lindo, de grande maturidade e verdade comum a todos nós. Espero que vocês curtam esse belo conto!

Um grande abraço! Um abração!
Si.


        “Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo; se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas: de se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias, e se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta.
          E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
          A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros vieram ao mundo.”

(C.F. Abreu)






segunda-feira, janeiro 02, 2012

ADEUS ANO VELHO

,céu
turbilhão
de luzes
 
tilintar das taças
cinco seis
sétima onda de Copa

 . . .

Presidente Vargas –
carros sol
corpo quente
do  ônibus:

uma grávida viaja em pé,
manchete policial
senta no banco da frente,
idoso deixado pra trás

curioso olhar
debruça a janela:

presa na boca de lobo
das ruas do Rio -
sacola
com coloridas letras:
 

feliz ano novo,


 

quarta-feira, outubro 12, 2011

As Aves (Aristófanes)


 "É de nós, as Aves, que os Homens recebem as maiores bênçãos.
Por nós, ficam a saber da chegada da Primavera, do Inverno, do Outono.
O grito da garça, durante o seu voo para a Lybia, anuncia-lhes que é tempo de semear.
Por nós, o comandante do navio fica a saber que pode abandonar o leme e dormir uma noite descansada.
Por nós, Orestes sabe que deve tecer uma capa quentinha para o Inverno —
não vale a pena deixar-se enregelar durante as suas expedições de ratoneiro.
Quando surge o Milhafre, nova estação se aproxima!
É o tempo da tosquia, quando chega a Primavera, e as andorinhas aconselham a troca das roupas quentes por vestes mais estivais."

" PISTETERO- Hay infinitas pruebas de que las aves, y no los dioses,
reinaron sobre los hombres en la más remota antigüedad. Empezaré por
citaros al gallo, que reinó sobre todos los persas antes que todos sus
monarcas, antes que Darío y Megabises; y en memoria de su reinado se
le llama todavía el ave pérsica."

(Trecho da bela peça de Aristófanes, As Aves)

quarta-feira, agosto 17, 2011

Previsão do tempo




tempo nublado
 
corações esparsos -
 
previsão de chuva
 
 no inverno

daqueles olhos

terça-feira, agosto 16, 2011

Tô de bem



Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem. 


(C.F.Abreu)

segunda-feira, agosto 15, 2011

Agenda - Mini-curso Entre palavra e imagem: a obra de W. Benjamin

O Mini-Curso, ENTRE PALAVRA E IMAGEM: a obra de Walter Benjamin, será realizado na UFF( campus Gragoatá) nos dias 17 a 19/8, de 14-18h




Vamos?!!

sexta-feira, agosto 05, 2011

Voltando pra casa



sim! estou voltando. gosto muito disso aqui!
um beijão!
e vamos que vamos! : ))

quinta-feira, julho 07, 2011

Multifoco lança Poesia é isso, de Lohan Lage Pignone

Queridos amigos, poetas e leitores do Poesia em Si!!!


                                                                              

É com enorme alegria que publico  o convite de lançamento do livro  Poesia é isso, pela Editora Multifoco, do jovem  autor Lohan Lage Pignone, cujo prefácio eu tive a honra de escrever. Deixo aqui um trechinho para vocês saborearem:

    "O livro Poesia é isso, que a Editora Multifoco oferece aos leitores, reúne o melhor da poética do jovem Lohan Lage Pignone. A presença marcante da qualidade de suas poesias abragem uma diversidade de temas como  amizade, o tédio, os gritos do corpo, a relação do homem com uma barata ou, até mesmo, a beleza da cruzada de pernas da prostituta.
 
A inquietude do poeta quanto à alienação e o absurdo que se configura a existência humana ante uma "ilusão de óptica/ Uma atração hipnótica" de uma vida monótona, "preta e branca", em frente à tela de TV, pode ser conferida em "On-Off", cujo sujeito lírico parece fazer uma constatação:

Quando me liguei
Já estava ligada
Quando desliguei
Permaneci ligado
(...)
Sua vida é a cores?
Minha vida é preta e branca
Tarde demais
Quando me liguei... Ela já estava ligada. "
 

É isso, pessoal! Com certeza o seu lirismo, sua poesia multifacetada dialogando com o cotidiano, com o erotismo, além de uma pitada de humor, nos surpreenderão!

Portanto, não percam! Será no sábado -03/09- a partir de 18h, no lugar mais carioca do Rio de Janeiro: no Espaço Multifoco, na Lapa!! ( Av. Mem de Sá, 126- Lapa)


“Ser poeta é um risco
Ser poeta é produzir um risco
Numa folha de papel”
(Estrambote- Lohan Lage)

Então, vamos???
Um abração a todos!!! Nos encontramos lá!

sexta-feira, junho 10, 2011

Volto Já!!


Pessoal! Que saudade do meu espaço com cheirinho de jasmim que é isso aqui ! Estou sumida um pouco; eu sei. Mas, assim que acabar as provas, prometo publicar bastantes coisas interessantes nessa casinha que eu amo estar. Tenho várias postagens em mente, de alguns amigos poetas, escritores e pintores também. E estou ansiosa em vê-las  aqui!
Um beijão a todos! É rapidinho, viu?  Volto já , já!
      Bjs!!!  Si : )
             

sábado, junho 04, 2011

Auto estima


"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima."


(Charles Chaplin)

terça-feira, abril 26, 2011

Strawberry Swing


Olá, caro leitores!

Amo essa música. Por isso resolvi publicá-la.  Além , é claro, da graciosa produção em stop motion também!

O clipe conta a história de um rapaz que ouve o pedido de socorro de uma moça  seqüestrada por um esquilo gigante; ele passa por diversas situações para poder resgatá-la, até que consegue eliminar o animal com uma noz explosiva, libertando-a finalmente.

Gostei muito do vídeo porque remete ao amor e as suas sensações de estar além da realidade, acima das nuvens, desafiador da lógica, e , segundo ao clipe e letra, como crianças sorrindo num balanço; de querer estar com e ser apenas feliz. Sentimento absurdo, surreal ou nonsense? Ah, que seja então! rsrs...




“I remember we were walking up to strawberry swing"


É isso!!
Um beijão a todos!!     

segunda-feira, abril 25, 2011

Ai... É ela... a danada da TPM...

Calma rapazes porque, às vezes, é como se fosse assim mesmo, rs. São aqueles dias que estamos só um pouquinho sensível demais. Mas também é aquilo, passa rapidinho, é só ter um pouquinho de paciência! Outra, só daqui a vinte dias, rs!

Bjssss... e Bom dia!!!!!!!!!!  : )






Trrrriiiimmmmmmm......

Hum.... hum....  Zzzzzzzzzzzzzzzz.....

Trrrriiiimmmmmmmmmmmm......

- Puta que o pariu!!! Três da manhã!!!! Será que médico não tem o direito a dormir não, caramba!!!  Alô!

-Doutor... Sou eu, Evanecilda Sã.

- Hum... hum... ZZZZzzzzzzzz....

-Doutor, o senhor está me ouvindo? Doutor???? Tá aí, ainda?!

- Hum...  O quê...?  O que é que você quer Evanecilda?!

-É porque hoje, doutor, estou naqueles dias... Queria uma recomendação sua.

- Hummm... Zzzzz... dias... Zzzz... HUM??! Que dias?!

- Ihhhh... doutor Riconaldo... São aqueles dias, um tanto que fico sensível... Mas dessa vez foi um pouco mais forte. Exagerei um pouco, aqui, em minha casa... É porque nesses dias eu fico um tanto explosiva, sabe? Mas é só nesses dias, depois passa.

- Mas o que foi dessa vez? Não me diga que congelou outro gato !!!!

- Não... É que... gostaria de saber só uma coisinha:


quinta-feira, abril 14, 2011

Os votos, de Sérgio Jockymann

Olá! Deixo aqui publicado o poema que mais gosto e tenho profunda admiração; e que desejo a todos vocês, leitores do blog. Espero que vcs curtam também! É isso! Um beijão!


      Os Votos
( Sérgio Jockymann)

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar



E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo

Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros



Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor


Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.

Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta


Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada

Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore


Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem

Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar

Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar


E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar


* Esse poema circula como sendo "Desejo", de Victor Hugo. Mas ele não é o real autor.

segunda-feira, abril 04, 2011

A melhor propaganda de carro que já vi de todos os tempos!!!

Olá, queridos leitores!

Pessoal, hoje resolvi quebrar de vez o protocolo do blog, rs!
Mais é por uma ótima causa! Olha, eu não ligo muito para propagandas de carro e nem de carros ( a não ser aquela belíssima máquina que faz parte do clipe “Desert Rose” , de Sting; quem  assistiu sabe bem do que eu estou falando), mas esse clipe da Kia , de fato... me deixou de boca aberta.  Lindo demais! A produção, as cores, os efeitos  fazem desse vídeo pra lá de interessante. Se trata de uma produção em HDTV para o YouTube. A máquina? Claro! O belíssimo  Optima 2011, também conhecido como Magentis. Não deixe de conferir.


É isso aí!
Um beijão a todos!!


quarta-feira, março 30, 2011

Aí vai meu coração ( Tarsila do Amaral )

Olá, queridos!

        Passei aqui rapidinho para deixar uma dica sobre esse livro que estou lendo e que é lindo pelo conteúdo e imagens: “ Ai vai meu coração”, da autora Ana Luisa Martins.
       Confesso a vocês que me sinto a própria narradora do conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector: leio pouquinho que é pra não ter que acabar logo.
O livro aborda o caso amoroso vivido pela pintora, registrado em cartas apaixonadas endereçadas a Luís Martins.
       As cartas de Tarsila reunidas em "Aí vai meu coração", são escritas com muita paixão (por Luis) e empolgação (pela atenção que sua obra despertava) para o marido, que estava no Rio ou na Europa e que já iniciava o processo de separação. Quando a união acaba, Tarsila tem 64 anos, e ele, 43. Luís, então, se casa com a escritora Anna Maria, de 27 anos. O livro inclui também as cartas de Anna Maria para Luís Martins, trechos da autobiografia do crítico e crônicas publicadas por ele, que tratam, com poucos rodeios, das dificuldades da separação e do novo casamento - que enfrentava oposição aberta dos tradicionais Amarais.

         Tarsila do Amaral tinha 47 anos quando conheceu Luis Martins, com apenas 26. Os dois se apaixonaram e viveram juntos por 18 anos, relação que se encerrou quando o jornalista e crítico de artes se uniu à escritora Anna Maria Martins - mãe da autora desse livro -, 16 anos mais nova do que ele. No mesmo período em que o casamento acabou, a pintora viu sua obra ganhar grande reconhecimento, consolidando a importância que já se sabia desde os primeiros anos do modernismo, quando realizou sua tela mais famosa, "Abaporu".
       


É isso aí!
Um abração!

sexta-feira, março 25, 2011

O Ariza que Gabriel me deu.

, decidido e envolvente no seu estilo. Ah, eu sou esse nó na sua gravata, Florentino... Como tudo em você é lindo. Tudo isso em você me atormenta, Florentino, por mais que eu diga não. Seus olhos virulentos de languidez me seguem pelos espelhos da sala, ou pelas frestas da porta a causar-me doce desassossego. São os seus passos que agora se aproximam apressados ao meu encontro. E quanto a mim, nesse quarto, o que mais posso te oferecer senão o Frank: I've got you under my skin, alguns  cigarros e balas Halls menta dispersos em minha bolsa? Você se aproxima, se despe sem pudor a face e desejos. E eu... I'd sacrafice anything come what might for the sake of having you near!! Estou por você presa a essas mil e uma folhas amarelas de um desassossegado lirismo e galanteio em prosa pra lá de poética sem fim. Que costuram as páginas desse meu livro me impedido de ti, à noite, fugir, Florentino! Ah, Florentino, se você soubesse... Correria quilômetros, léguas te propondo vários, mais vários casamentos felizes!!

Música: