Poiésis

quinta-feira, julho 07, 2016

Seja calmaria...


terça-feira, dezembro 08, 2015

Florbela Espanca


domingo, maio 24, 2015

La force des choses (Fragmento sobre a velhice)


La force des choses
(fragmento sobre a velhice, na obra de Simone de Beauvoir)


[...] No fundo deste espelho, a velhice me espreita [...] Ela me tem. Muitas vezes me detenho, ofuscada, diante desta incrível coisa que é o meu rosto. Compreendo Castiglione que tinha quebrado todos os espelhos [...] Vejo meu antigo rosto onde se instalou uma doença da qual não vou me curar. [...] A velhice me infecta também o coração [...] A morte não é mais, na distância, uma aventura brutal; ela obceca meu sono; acordada, sinto sua sombra entre o mundo e mim mesma: ela já começou. (Beauvoir, 1963, p.198)























Foto de Pierre Louis Pierson: Condessa de Castiglione
Película," La Contesse Castiglione"
Postagem sobre: "Espelho meu: A Condessa de Castiglione"


domingo, maio 17, 2015

Haicai



verão na Maré
embaixo das palafitas
reflexos da lua









segunda-feira, maio 04, 2015

Van Gogh


Van Gogh

, dormem telhados
igreja asilo
sob carrossel de estrelas

janela

única luz –

mãos insones
na noite suspensa

na tela pesa
ventos vendavais
no balé das cores

da ausência







"Tudo passa — sofrimento, dor, sangue, fome, peste. A
espada também passará, mas as estrelas ainda permanecerão
quando as sombras de nossa presença e nossos feitos
se tiverem desvanecido da Terra. Não há homem que
não saiba disso. Por que então não voltamos nossos olhos
para as estrelas? Por quê?


(MIKHAIL BULGAKOV, O exército branco)


sábado, março 28, 2015

Saramalego


domingo, março 22, 2015

Os meus gatos (Adília Lopes)


Os meus gatos já deixaram há muito tempo de brincar com as minhas baratas. A Ofélia tem 12 anos, seis meses e sete dias. O Guizos, segundo o Dr. Morais, tem 9 anos. Entretanto gatos morreram, gatos desapareceram. Estou a escrever isto no computador e não sei do Guizos há três dias.  
















 
"Há sempre uma grande carga de violência, de dor, de seriedade e de santidade naquilo que escrevo" (Adília Lopes- poetisa portuguesa)




terça-feira, janeiro 20, 2015

Para Chico


Olá!
Recentemente, participei de um concurso de poesias cuja proposta era elaborar um poema, em homenagem  a Chico Buarque, inspirado em alguma canção referente às "mulheres de Chico". Então, escolhi "A Rita". Abaixo da letra, fiz o poema "Para Chico", o qual postei também a avaliação dada por Alfredo Fressia, Oscar Nakosato, Flávio Morgado e Jackes Fux.




















A Rita 
(Chico Buarque) 

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de São Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor de vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão 

Para Chico 
(Simone Prado) 

, malas
echarpe  
são francisco
deixados  no chão

entrada –

aparente vazio
habita cômodos

meus passos
(sem pressa)

na sala
o rosto
o verde das íris
o dedilhar no violão
invisíveis

paredes
quarto –
terra estranha:
aqui a guerra
é mais longa

na mão o desejo infinito
sobre a maçaneta de ferro
envelhecido:

bastava um giro
um fechar a porta
virar as costas
e fazer vibrar as cordas
daquele mudo violão

Título: Para Chico (Simone Prado)

Alfredo Fressia: Mais um belo poema, criado sobre uma retórica da fragmentação, do implícito (e ainda o tema da conivência, colaboração do leitor). Se tudo isto não bastasse, o poema contém também uma joia, a saber, estes versos perfeitos: “na mão o desejo infinito/ sobre a maçaneta de ferro/ envelhecido:”. Muito bom.

Oscar Nakasato: O poema recupera o sentimento de ausência e solidão cantado por Chico Buarque. A vírgula no início do poema já parece indicar que a lista de “coisas” deixadas no chão se estende num movimento que vai para o antes de “malas”. Há uma confluência de elementos que indicam esse sentimento: os versos mínimos, o paradoxo “vazio habita cômodos”, passos sem pressa, invisíveis paredes, mudo violão. Os versos mínimos, aliás, centrados em substantivos, exploram eficazmente as lições do Cubismo e do Futurismo. Ao mesmo tempo, o poema proporciona uma ambiguidade: a porta é a entrada ou a saída?  

Flávio Morgado: O poema leva de forma interessante (na quebra dos versos e no seu “pé ante pé”) a uma narrativa singela, simples. Mas por que não? Merecedora de poema. Bom poema.

Jacques Fux: Quase uma nova canção. Embala e encanta. Bonito, certeiro e bem escrito.

 

domingo, dezembro 21, 2014

Feliz Natal !


segunda-feira, dezembro 01, 2014

O Grande Circo Místico


Um clássico e um dos melhores poemas que já li desse grande homem das Letras: Jorge de Lima. Foi também inspiração para a música "Beatriz", de Chico Buarque.


O médico da câmara da imperatriz Tereza – Frederico Knieps – resolveu também que seu filho fosse médico, mas o rapaz fazendo relações a equilibrista Agnes, com ela se casou, fundando a dinastia do circo Knieps de que tanto se tem ocupado a imprensa. 

Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown (palhaço), de quem nasceram Marie e Oto. Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora que tinha no ventre um santo tatuado. 

A filha de Lily Braun – a tatuada no ventre, quis entrar para um convento, mas Oto Frederico Knieps não atendeu, e Margarete continuou a dinastia do circo de que tanto se tem ocupado a imprensa. Então Margarete tatuou o corpo, sofrendo muito por amor de Deus, pois gravou em sua pele rósea a Via-Sacra do Senhor dos Passos. 

E nenhum tigre a ofendeu jamais; e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos, quando ela entrava nua pela jaula a dentro, chorava como um recém nascido. Seu esposo - o trapezista Ludwig nunca mais a pode amar pois as gravuras sagradas afastavam a pela dela e o desejo dele. Então, o boxeur Rudolf que era ateu e era o homem-fera derrubou Margarete e a violou. Quando acabou o ateu se converteu, morreu. 

Margarete pariu duas meninas que são o prodígio do Grande Circo Knieps. Mas o maior milagre são as suas virgindades. 

Em que os banqueiros e os homens de monóculo têm esbarrado; são as suas levitações que a platéia pensa ser truque; e a sua pureza em que ninguém acredita; são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo; mas as crianças crêem nelas, são seus fiéis, seus amigos, seus devotos. 

Marie e Helene se apresentam nuas, dançam no arame e deslocam de tal forma os membros que parece que os membros não são delas. 

A platéia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos, Marie e Helena se repartem todas, se distribuem pelos homens cínicos, mas ninguém vê as almas que elas conservam puras, e quando atiram os membros para a visão dos homens, atiram as almas para a visão de Deus. 

Com a verdadeira história do Grande Circo Knieps muito se tem ocupado a imprensa. 

(poema de Jorge de Lima)

Romance do Pavão Misterioso ( cordel de José Camelo de Melo)

"Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar

Ai, se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha pra contar..."


















Eu vou contar uma história
De um pavão misterioso
Que levantou voo na Grécia
Com um rapaz corajoso
Raptando uma condessa
Filha de um conde orgulhoso
. (leia mais...)


segunda-feira, novembro 24, 2014

Dia de folga



brisa lustra 
telhados
na manhã escura

chuva fina 
cobre a rua
vazia

...

embaixo da manta
até os feriados
preferem ficar na cama



domingo, novembro 23, 2014

Poesia





pássaro amarelo
rompe o vil papel
voa no azul claredento
e faz ninho 
nos meus olhos

sábado, novembro 22, 2014

Poesiando...




Versos ficcionados e construídos
por aqueles que rimam  histórias,
tecem sentidos...

Retiram das palavras poesias,
Metrificam e fazem versos 
dos  dias -

Também são partes de mim,
E  poesiam toda uma vida!

(Simone Prado)

sábado, novembro 01, 2014

Poesia visual



































sexta-feira, outubro 24, 2014

SÉTIMA ELEGIA


SÉTIMA ELEGIA


Essa sensação de ir descalço, a camisa...
cheirando a sol de varal.

Tu, minha mulher, eras corrente e água calma,
as oscilações da palha e trigo.

Teu corpo arvorava nos lábios indecisos ou nos cabelos?
Na encosta da cinta ou nas dunas dos seios?
Quando começavas a te revelar? No desejo apetecido
ou na fome de um filho?
Como definir se a luz deitou as vestes?

Cumprias distâncias em mim.
Madrugando não alcançaria.

Venho de tua lonjura, os braços eram remos
no barco e aço da âncora.
Acostumado à extensão das raízes,
não sobrevivo no vaso dos pés.

Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço. Como povoá-lo
após tua partida?


(CARPINEJAR, Fabricio. In: Sétima Elegia. Terceira Sede, ed. Escrituras.)


"Liberdade na vida
é ter um amor para se prender"
CARPINEJAR

* Elegia é uma poesia triste, melancólica ou complacente, especialmente composta como música para funeral, ou um lamento de morte.

sábado, junho 21, 2014

Não tenha medo


Daqui do alto, luzes pequenas
Longínquas na noite
Mesmo assim percebi você
Passeando na cidade
Tentou se esconder no meio dela
Você sabe onde posso te encontrar...
Mas você não  se importa, no fundo
Quer mais que te encontre

Sim, eu te vi
Eu posso ficar aqui
Ficar com você
Fazê-lo feliz
Até que de ti surjam asas
E voarás para fora, para longe
Para longe de ti
Só assim sairás da tua escuridão
Basta que feche os olhos
E sinta esse momento

Não tenha medo
Não tenha medo de cair
E se cair
Encontrarás o meu peito
Não tenha medo
É assim mesmo
Essa lua que agora surge
Imensa no breu

Essa música que você ouve agora
É sua... Ela sempre foi sua
Sai de dentro de ti
Sai da tua janela
E percebe que a noite
Já não é mais tão longa assim
Você diz que agora ela passa rápido
Sim, passa rápido... Eu sei
É assim mesmo

Lá fora cai a chuva
E na noite, você me abraça
Posso ficar por aqui
Posso sentir as suas asas
Sentir que você voa
Voa pra dentro de mim

Não tenha medo
Não tenha medo de cair
Porque se cair
Encontrarás o meu peito

Mas

Você já não tem mais medo

Nov / 2009

quinta-feira, junho 12, 2014

Calçada


















,noite alta
av. rio branco

deitados
pequenos pés
descobertos

e a poesia à espreita

aquele que acordar
acende a luz do sol:



segunda-feira, junho 09, 2014

Anne Sexton


calendário –
desajeitados dias
sobre macas
peitos espigões:

vai o barco
sobe ruas navegando
para trás entre
moedas e batons

móveis o piso de madeira
pai bisavó taças sobre a mesa
avô cochilando na despensa

onde? 
a rua da misericórdia

janela
do céu: crianças -
despencam telhados

...

onde?

garagem,
vapor
rompe o barco

chão –  o copo
de vodka:
a rua não é essa aqui.





segunda-feira, maio 26, 2014

Partida


, cama
  lençol
cuidadosa saída

antes

íris -

um gato
da janela do quarto
ganha os jardins

roupas
rápidos
objetos
recolhidos
descem escadas

giro das chaves

carro
e o lençol de flores
estampado na memória:
ao lado -
ninguém.










quinta-feira, abril 17, 2014

Chris Orwig - visual poetry

Poesia Visual...

                   Foto: Chris Orwig (visual poetry) 

                   A chuva suave nas ruas de Seattle, e a criação desses belos reflexos.

Landnemar

Poesia visual ...


    
                                   Foto: Álvaro Sánchez-Montañés - Landnemar

domingo, novembro 24, 2013

Palavras Poucas

 
quando poesias se encontram,
as palavras, às vezes,
não conseguem dar conta ...

                            imagem: Sebastião Salgado

 

domingo, outubro 27, 2013

INVERNO



INVERNO


nevoeiro
vento

um farol
se lança 


foi...

desrumo –

solidão na proa