Poiésis

terça-feira, janeiro 20, 2015

Para Chico


Olá!
Recentemente, participei de um concurso de poesias cuja proposta era elaborar um poema, em homenagem  a Chico Buarque, inspirado em alguma canção referente às "mulheres de Chico". Então, escolhi "A Rita". Abaixo da letra, fiz o poema "Para Chico", o qual postei também a avaliação dada por Alfredo Fressia, Oscar Nakosato, Flávio Morgado e Jackes Fux.




















A Rita 
(Chico Buarque) 

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de São Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor de vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão 

Para Chico 
(Simone Prado) 

, malas
echarpe  
são francisco
deixados  no chão

entrada –

aparente vazio
habita cômodos

meus passos
(sem pressa)

na sala
o rosto
o verde das íris
o dedilhar no violão
invisíveis

paredes
quarto –
terra estranha:
aqui a guerra
é mais longa

na mão o desejo infinito
sobre a maçaneta de ferro
envelhecido:

bastava um giro
um fechar a porta
virar as costas
e fazer vibrar as cordas
daquele mudo violão

Título: Para Chico (Simone Prado)

Alfredo Fressia: Mais um belo poema, criado sobre uma retórica da fragmentação, do implícito (e ainda o tema da conivência, colaboração do leitor). Se tudo isto não bastasse, o poema contém também uma joia, a saber, estes versos perfeitos: “na mão o desejo infinito/ sobre a maçaneta de ferro/ envelhecido:”. Muito bom.

Oscar Nakasato: O poema recupera o sentimento de ausência e solidão cantado por Chico Buarque. A vírgula no início do poema já parece indicar que a lista de “coisas” deixadas no chão se estende num movimento que vai para o antes de “malas”. Há uma confluência de elementos que indicam esse sentimento: os versos mínimos, o paradoxo “vazio habita cômodos”, passos sem pressa, invisíveis paredes, mudo violão. Os versos mínimos, aliás, centrados em substantivos, exploram eficazmente as lições do Cubismo e do Futurismo. Ao mesmo tempo, o poema proporciona uma ambiguidade: a porta é a entrada ou a saída?  

Flávio Morgado: O poema leva de forma interessante (na quebra dos versos e no seu “pé ante pé”) a uma narrativa singela, simples. Mas por que não? Merecedora de poema. Bom poema.

Jacques Fux: Quase uma nova canção. Embala e encanta. Bonito, certeiro e bem escrito.

 

6 comentários:

Isildinha antunes disse...

visitando seu blog e amei já estou curtindo dê uma passadinha no meu
http://amoreluz10.blogspot.com.br/ abraço..

Simone Prado Ribeiro disse...

Obrigada! Visitarei , sim.

Odney Sales disse...

LINDA DEMAIS SÃO AS PALAVRAS EM GERAL DE CHICO BUARQUE, COMO SEMPRE UM SENSACIONAL!

Odney Sales disse...

lindas são as palavras de um poeta nato como Chico Buarque

Simone Prado Ribeiro disse...

Boa, Odney! Tô fechada contigo!!
Gde Abraço!!

Atit Ordep disse...

amo Chico